Dos terreiros às avenidas: hoje é dia do samba


Neste sábado (2), é celebrado o Dia Nacional do Samba. A data surgiu por iniciativa de um vereador baiano para homenagear o compositor mineiro, autor do sucesso “Na Baixa do Sapateiro”, pela primeira visita a Salvador. Depois, a data passou a ser comemorada em todo o país.

Dos batuques africanos às rodas de samba como conhecemos hoje, muitos foram os elementos incorporados nessa trajetória, que tem como um dos marcos importantes a casa da famosa baiana Tia Ciata ou Hilária Batista de Almeida. A yalorixá reunia de sambistas a políticos em seu quintal para fazer samba, sempre depois das festas para os orixás. Ali, no coração do território que ficaria conhecido como Pequena África, na região central do Rio de Janeiro, nasceria o primeiro samba a ser gravado, Pelo Telefone, do compositor Donga.

Até então o samba tinha um ritmo mais próximo do maxixe e foi aí que, por volta dos anos 1920, uma turma do bairro do Estácio, de acordo com os historiadores, viu uma oportunidade de criar uma escola de samba. E foi assim que nasceu a Deixa Falar, uma escola que nunca desfilou.

Mas esse grupo, formado por figuras como Mano Elói, Ismael Silva e Bide, fez também sambas de sucesso, que atravessaram gerações e continuam sendo cantados até hoje nas rodas espalhadas pelo Brasil.

Nascido nos terreiros

Em tese de doutorado sobre a relação do samba, espiritualidade e mulheres de axé, a pesquisadora e jornalista Maíra de Deus Brito, ressalta que o samba nasceu dentro dos terreiros, ganhando outras nuances quando chega ao Rio de Janeiro.

“Quando Tia Ciata, Tia Perciliana, entre outras, saem da Bahia, da região do Recôncavo Baiano, e vão para o Rio de Janeiro, ali, vai ser desenvolvido outro samba, que é um samba urbano, o samba carioca, com temáticas não sagradas”, disse em entrevista à apresentadora Ana Pimenta, no programa Mosaico, das rádios nacionais da Amazônia e do Alto Solimões, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Embora desde o início tenham sido protagonistas na história do samba – apontadas como responsáveis pelos primeiros sambistas cariocas – as mulheres ainda buscam reconhecimento. Na luta por um espaço mais democrático, em 2018, surgiu o primeiro Encontro Nacional de Mulheres na Roda de Samba. A cada evento, as sambistas começam a tocar simultaneamente em diversas partes do Brasil e do mundo.

Cada canto, um samba

A pesquisadora ressalta ainda que em cada região do país o samba é influenciado por outros ritmos e valores culturais locais. No Norte, por exemplo, aproxima-se da influência caribenha.

Em 2007, o Instituto Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu três gêneros do samba carioca como patrimônio cultural: rodas que cantam partido-alto, samba de terreiro e samba enredo.

“O samba não morre, porque está sempre se reinventando”, destaca a pesquisadora.

Na capital fluminense, as segundas-feiras são marcadas pelo Samba do Trabalhador, comandado por Moacyr Luz, que lota o Clube Renascença, casa referência da resistência negra na cidade. Uma das rodas mais disputadas, recebe tanto turistas como frequentadores assíduos, que cantam o repertório de cor, independentemente se faz ou não sucesso no rádio.

Oswaldo Cruz é um reduto histórico de grandes sambistas, como Monarco, Manaceia e Seu Mijinha. O bairro, formado pela população negra expulsa do centro com as reformas urbanas, tem nele a Feira das Yabás, que resgata a cultura do samba no quintal, típico dos subúrbios cariocas. O evento, que celebra a cultura afro-brasileira, une música e comidas típicas feitas por matriarcas do samba, como Tia Surica.

Caminhos da Reportagem

Para marcar o dia do samba, o programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, apresenta reportagem sobre o samba na palma da mão, do tambor ancestral, da espontaneidade e do improviso, que mantém seu espaço mesmo diante da profissionalização e do grande sucesso comercial do Carnaval.

O programa vai ao neste domingo (3), às 22h, na TV Brasil.




Fonte: Agência Brasil

Região de mina em Maceió registra abalo sísmico mais intenso


Um novo abalo sísmico foi registrado na madrugada deste sábado (2) em Maceió, a 300 metros de profundidade, dessa vez com a magnitude de 0,89, informou a Defesa Civil da capital alagoana. O tremor se deu no bairro Mutange, onde está localizada a mina número 18 de exploração de sal-gema pela empresa Braskem.

O abalo foi mais intenso do que o registrado na noite de sexta-feira (1º), mas a Defesa Civil registrou uma diminuição na velocidade de afundamento de terra na mina 18. A velocidade agora é de 0,7 cm por hora, em um total de 13 cm nas últimas 24 horas. Durante a semana, o afundamento chegou a 50 cm por dia.

O órgão informou que mantém alerta máximo e constante observação devido ao risco de iminente colapso da mina 18, na região do antigo campo de treinamento do clube de futebol CSA, no Mutange. Três sensores no local continuam apresentando alertas de movimentação do solo.

Na sexta (1º), a Braskem confirmou que pode ocorrer um grande desabamento na área. É possível também que a área da mina se acomode e estabilize o afundamento, segundo a empresa.

Colapso

Desde o fim da semana passada existe a expectativa por parte dos órgãos de Defesa Civil de que a cavidade da mina 18 entre em colapso a qualquer momento. A situação é mais grave nos bairros de Mutange, Pinheiro e Bebedouro, que sofreram nos últimos abalos sísmicos devido à movimentação da Mina 18 da Braskem.

A prefeitura de Maceió declarou situação de emergência por 180 dias por causa do iminente colapso da mina 18, que pode provocar o afundamento do solo em vários bairros. A área já está desocupada e a circulação de embarcações está restrita na região da Lagoa Mundaú, no bairro do Mutange. O governo federal também reconheceu o estado de emergência na capital alagoana.

Em nota, a Braskem disse que continua mobilizada e monitorando a situação da mina 18, tomando as medidas cabíveis para minimização do impacto de possíveis ocorrências e que a área está isolada desde terça-feira (28). A empresa ressalta que a região está desabitada desde 2020.

“Referido monitoramento, com equipamentos de última geração, foi implementado para garantir a detecção de qualquer movimentação no solo da região e viabilizar o acompanhamento pelas autoridades e a adoção de medidas preventivas como as que estão sendo adotadas no presente momento”, disse a empresa.




Fonte: Agência Brasil

Luziânia inicia transporte gratuito; cidadãos reclamam de demora


Olhar para o horizonte em expectativa para o que vem da esquina. A auxiliar de serviços gerais Ivonete Mendes, de 46 anos, está ansiosa, como todos os dias depois da labuta. Ela usa diariamente o transporte público para chegar ao trabalho na cidade de Luziânia (GO). Em uma rotina exaustiva, são, em média, 50 minutos de viagem, do centro para o bairro de Estrela Dalva 8.

Nesta semana, ela recebeu uma notícia que a animou: o município passou a oferecer transporte gratuito. As catracas liberadas farão, nas contas dela, uma economia de mais de R$ 130. Porém, ficou, em parte, “decepcionada”. O transporte demorou mais de uma hora para chegar. “Antes, passava de 30 em 30 minutos. Agora, está demorado e lotado”.

Brasília (DF) 01/12/2023 - O município de Luziânia (GO), no Entorno do Distrito Federal, passou a ter transporte público em operação com tarifa zero. A medida garante aos moradores da cidade gratuidade para circulação nos veículos coletivos. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Tarifa Zero: transporte público passa a operar de graça em Luziânia. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

De acordo com a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, a gratuidade no transporte coletivo público é uma realidade em pelo menos 84 cidades brasileiras todos os dias da semana. Em Luziânia, eram 12 mil passagens por semana (ou cerca de 50 mil por mês). “Por um estudo que foi feito, essa quantidade vai triplicar em função da gratuidade”, indicou a assessoria de comunicação da prefeitura.

A administração do município entende que a gratuidade fará com que pessoas que antes não saíam de casa em função do custo da passagem (antes custava entre R$ 2,90 e R$ 3) poderão usar mais o serviço. A assessoria de comunicação da prefeitura entende que a queixa da demora “não faz sentido” porque há 22 ônibus, 10 (novos) a mais do que antes.

A prefeitura garante que há uma tendência de aumentar a frota.

Recursos

A empresa concessionária na cidade é a Catedral. Na iminência do aumento das passagens, a prefeitura resolveu subsidiar o serviço com R$ 150 mil por mês. Para garantir os 100% para toda a população, os custos podem chegar a R$ 850 mil, mas esse número pode variar em função da quantidade de pessoas que vão utilizar o serviço. Os recursos são próprios da prefeitura e devem ser custeados com emendas parlamentares para garantir o benefício também no ano que vem.

Mais desafios de melhorias vão precisar entrar na contabilidade da administração. A auxiliar de enfermagem Cleane de Souza, de 27 anos, além da demora dos ônibus, lamenta que o transporte não chega perto da casa dela. “Fico na estrada e preciso andar três quilômetros até minha casa (bairro do Sol Nascente)”.

Auxiliar de serviços gerais, Marlene Souza, de 47, também reclama que o ônibus não chega ao bairro dela, na Serrinha. “Demora o transporte e eu tenho que andar mais de um quilômetro. Eles vão ter que melhorar isso”.

À espera do cartão

Brasília (DF) 01/12/2023 - O município de Luziânia (GO), no Entorno do Distrito Federal, passou a ter transporte público em operação com tarifa zero. Romilda Machado, cozinheira.
 Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

 Romilda Machado, cozinheira, espera por ônibus. Foto:  – Wilson Dias/Agência Brasil

Mesmo já com o início da gratuidade do transporte, não são todos os cidadãos que já têm esse direito. É necessário fazer o cartão que garante passar pela catraca. A gratuidade faz diferença na vida, por exemplo, da cozinheira Romilda Machado, de 48 anos. Nesta semana, ela pediu liberação do serviço no restaurante em que trabalha para fazer o cartão. Chegou às 9h em um posto da prefeitura e conseguiu finalmente ser atendida às 16h30. Ela, que sai de casa todos os dias às 6h e ganha um salário mínimo, poderá economizar mais de R$ 120. “Foi demorado, mas é muito importante para mim”.

Brasília (DF) 01/12/2023 - O município de Luziânia (GO), no Entorno do Distrito Federal, passou a ter transporte público em operação com tarifa zero. Lucineide Barbosa, aux. de limpeza e Débora Fernandes, merendeira.
 Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Tarifa Zero: transporte público passa a operar de graça em Luziânia,Foto:  Wilson Dias/Agência Brasil.

No mesmo posto de atendimento, duas amigas, a auxiliar de limpeza Lucineide Barbosa, de 44, e a merendeira Débora Fernandes, de 41, não se importavam com a demora. “Para quem ganha um salário mínimo, essa foi a melhor notícia que poderíamos receber”, comemorava Lucineide.

Débora, pelo mesmo motivo, explicou no trabalho que precisaria se ausentar. Ela, que sai de casa antes do nascer do sol, estava cansada, mas sabe que 10% do salário poderá ser poupado e se transformar em alimentos para casa. Ela, além do transporte dentro de Luziânia, tem um gasto de mais R$ 5.60 para chegar à Região Administrativa do Gama (DF), onde trabalha. “O dinheiro para ônibus tira muito do meu salário”.

A prefeitura admite que há reclamações a respeito da demora na confecção dos cartões, mesmo havendo 12 pontos no município para produção do documento. A assessoria de imprensa chama atenção para elevada procura e até boatos que circulam na cidade de que o cadastramento só iria até dia 1º de janeiro. Apesar disso, a cidade tem recebido queixas por intermédio da ouvidoria municipal e até por redes sociais.

Efeitos

Pesquisador no tema, Artur Morais, doutor em transporte e auditor fiscal em atividades urbanas, afirma que, para a redução dos problemas de implementação da gratuidade do transporte público, é necessário que o município priorize investimentos. “Isso é normal. Muita gente vai deixar o carro e usar ônibus porque vai ficar mais barato. Tem que aumentar a frota para melhorar o sistema”.

Além disso, o especialista indica que o transporte gratuito pode também gerar emprego. “O empresário que vai deixar de pagar o vale transporte. De cada 10 funcionários que deixar de pagar o benefício, é um funcionário a mais que ele vai poder contratar”.

No volante

Brasília (DF) 01/12/2023 - O município de Luziânia (GO), no Entorno do Distrito Federal, passou a ter transporte público em operação com tarifa zero. A medida garante aos moradores da cidade gratuidade para circulação nos veículos coletivos. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

O município de Luziânia (GO), no Entorno do Distrito Federal, tem com tarifa zero para circulação nos veículos coletivos. Foto: Wilson Dias

Também comemoraram a novidade os funcionários da empresa concessionária. O motorista Elder Silva, de 33 anos, que trabalha desde 2016 na função, ficou feliz que não terá mais que dividir-se entre dirigir e cobrar a passagem.  “Tem ônibus novo e nosso trabalho vai ficar mais fácil”.

A colega, Luana Maia, começou como cobradora até chegar ao volante. Foi dirigir para ajudar a pagar a faculdade de enfermagem e gostou do trabalho. Guia o ônibus pela cidade inteira desde 2019. “Com a passagem gratuita, achei gratificante. Podemos transportar mais gente”. Ela coloca o cinto e acelera. As paradas estão cheias à espera dela.

Programa

O programa Tarifa Zero no Transporte Público, que prevê a gratuidade em ônibus na cidade de Luziânia foi oficialmente implementado no início desta semana.




Fonte: Agência Brasil

Estúdio-escola vai produzir animações brasileiras em Minas Gerais


Um estúdio-escola voltado para o ensino e a produção de animações foi instalado no município de Cataguases, Minas Gerais. O Animaparque integra o Polo Audiovisual da Zona da Mata Mineira e começará a receber as primeiras produções no ano que vem. Inaugurado na última quinta-feira (30), o parque ocupa área de 10 mil metros quadrados e é gerido pela Agência de Desenvolvimento do Polo Audiovisual (Apolo), com apoio do Grupo Energisa.

O espaço conta, em sua estrutura, com áreas para produção e pós-produção de audiovisual, estúdios, laboratório multimídia, áudio e trilhas sonoras, ateliês técnicos de cenografia, arte e figurino, camarins, sala de direção e base de produção.

“De 2010 para cá, o Brasil virou uma grande referência na produção de filmes de animação no mundo. Vários filmes nacionais ganharam repercussão no mundo, como O Menino e o Mundo [indicado ao Oscar de Melhor Animação de 2016] e Amor e Fúria. A partir de 2018, começamos a trabalhar aqui na região também com o setor de animação. O mercado de animação é potente, tem impacto no mundo todo. E a nossa intenção era perseguir essa vocação para a região”, afirma o diretor-presidente da Apolo, Cesar Piva.

Entre as primeiras produções a serem recebidas pelo Animaparque está a animação O Pinguim Tupiniquim, baseada no livro homônimo da autora Índigo. O filme será produzido pela Coala Filmes, do animador Cesar Cabral, em parceria com o El Taller del Chucho, estúdio fundado pelo mexicano Guillermo del Toro.

Outra produção prevista para o Animaparque será A Marcha dos Girassóis, animação em stop motion (modalidade em que o personagem é movimentado frame a frame pelas mãos do animador) da produtora mineira Tubz Estúdio Audiovisual. Ambas produções devem gerar 100 postos de trabalho.

De acordo com Piva, projetos de animação têm prazo mais longo que outros tipos de produções audiovisuais. Um longa-metragem, por exemplo, pode levar mais de dois anos para ficar pronto, o que garante empregos por mais tempo.

Em termos de ensino, o Animaparque está recebendo o curso de graduação de tecnologias em cinema e animação, da Universidade Estadual de Minas Gerais (Uemg), que já está na segunda turma e se prepara para selecionar mais 30 alunos para o próximo semestre.

“A universidade é a primeira instituição a ocupar esse espaço. Hoje ela está com 60 alunos e dez professores ocupando as salas de aula e laboratórios do Animaparque”, informa Piva. Segundo ele, esses estudantes já podem começar a se envolver nas produções que chegarão ao polo.

Para a coordenadora de Investimento Social do Grupo Energisa, Delânia Azevedo, o grande diferencial do Animaparque é interiorizar a produção de animação no país e “fazer desenvolvimento com sustentabilidade, através da cultura”.




Fonte: Agência Brasil

Mega-Sena sorteia R$ 3 milhões neste sábado


O concurso 2663 da Mega-Sena distribuirá neste sábado (2), às 20h, um prêmio estimado em R$ 3 milhões para quem acertar os seis números.

O sorteio será realizado no Espaço da Sorte, em São Paulo. Haverá transmissão ao vivo pelas redes sociais das Loterias Caixa no facebook e canal da Caixa no YouTube.

As apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília), nas casas lotéricas credenciadas pela Caixa em todo o país ou pela internet.

O jogo simples, com seis números marcados, custa R$ 5.




Fonte: Agência Brasil

“Culto aos ancestrais”, samba é homenageado no Rio de Janeiro


Idealizado pelo músico Marquinhos de Oswaldo Cruz, o Trem do Samba realiza neste sábado (2) a sua 28ª edição. Consolidado como um patrimônio da agenda cultural carioca, a iniciativa mobiliza amantes do samba de todas as idades, que embarcam nas composições que saem da estação Central do Brasil em direção ao bairro de Oswaldo Cruz, na zona norte do Rio de Janeiro. Os instrumentos de corda e de percussão os acompanham como passageiros ilustres e os músicos garantem a trilha sonora.

“O Trem do Samba é um restaurador de obras de arte, porque vem todo ano caminhando na memória coletiva pelos trilhos, fazendo com que as pessoas se lembrem de nossas histórias e de nossas músicas”, explicou Marquinhos de Oswaldo Cruz em entrevista à Agência Brasil.

Os primeiros trens sairão rumo à Oswaldo Cruz a partir das 18h04. Mas, antes do embarque e depois do desembarque, a festa acontece nos palcos que receberão nomes como Martinho da Vila, Leci Brandão e Fabiana Cozza. O passaporte para essa viagem é um quilo de alimento não perecível e toda a arrecadação é doada a projetos sociais.

Toda essa mobilização não poderia acontecer em outra data. Em 2 de dezembro, é celebrado o Dia Nacional do Samba. Também por isso, a TV Brasil preparou uma programação especial: serão transmitidos ao vivo os principais momentos do Trem do Samba, com flashes a partir das 18h e transmissão completa dos shows a partir de 21h.

Marquinhos de Oswaldo Cruz observa que o samba é “um culto aos ancestrais” e reverencia nomes que contribuíram para perpetuar o ritmo, como Cartola, Monarco, Dona Ivone Lara, entre outros. Nessa entrevista à Agência Brasil, ele explicou as origens do Trem do Samba e contou o que esperar da edição deste ano. Também falou sobre a importância e os desafios para a preservação do samba tradicional.

Confira os principais trechos da entrevista:

Agência Brasil: O que os passageiros devem esperar do Trem do Samba?
Marquinhos de Oswaldo Cruz:  O Trem do Samba faz o trajeto da Central do Brasil até Oswaldo Cruz. E Oswaldo Cruz e Madureira são um grande museu de bens culturais e imateriais. Então o Trem do Samba é um restaurador de obras de arte, porque vem todo ano caminhando na memória coletiva pelos trilhos, fazendo com que as pessoas se lembrem de nossas histórias e de nossas músicas. Para perpetuar o bem cultural e o imaterial é preciso executá-lo. Então o Trem do Samba vem oxigenar as memórias coletivas para que esses bens culturais possam ficar vivos.

Rio de Janeiro (RJ) 23/11/2023 – Retrato do músico e compositor Marquinhos de Oswaldo Cruz, organizador do Trem do Samba, durante gravação para TV Brasil. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Músico e compositor Marquinhos de Oswaldo Cruz e o organizador do Trem do Samba. Foto – Fernando Frazão/Agência Brasil

Agência Brasil: Como surgiu o Trem do Samba?
Marquinhos de Oswaldo Cruz:  Esta é a 28ª edição. Inicialmente, o Trem do Samba buscava chamar a atenção da comunidade do bairro de Oswaldo Cruz, um bairro periférico na cidade do Rio de Janeiro. A ideia surgiu muito do que fazia o mestre Paulo da Portela na década de 1930. Cantar samba era proibido, assim como outras manifestações negras. Para burlar a repressão policial ao samba, o Paulo da Portela marcava com os amigos no final do trabalho na Estação Central do Brasil. Se encontrava com os amigos às vezes até de outras escolas e não só da Portela.

Eles pegavam o trem para a periferia, para o bairro do Osvaldo Cruz. Entravam no trem e quando a porta fechava, eles saiam tocando, que só assim a polícia não prendia. Em 1996, eu recrio essa história para comemorar o Dia Nacional do Samba.

Agência Brasil: Esta edição terá homenagens?
Marquinhos de Oswaldo Cruz:  A homenagem esse ano é aos Senhores da Memória. O Rio de Janeiro é a cidade que mais recebeu negros escravizados na história da humanidade e sofreu também uma diáspora interna que levou esses negros principalmente para os morros e para a região da grande Madureira. E o Trem do Samba é uma espécie de restaurador de obras culturais e imateriais produzidas na periferia. É um trem da memória. E a nossa história é repleta desses Senhores da Memória. Alguns deles ainda estão vivos.

Esses Senhores da Memória fizeram essa história se perpetuar. A geração de Paulo da Portela, Cartola, Donga, João da Baiana. Depois vem a geração de seu Alvaiade e seu Manaceia, falando mais da minha comunidade. Tivemos agora a passagem do seu Monarco há dois anos. Dona Ivone Lara, representando o Império Serrano e a Serrinha. Foram tantos que vieram e que perpetuaram as histórias, cantaram as histórias, para que esse samba ficasse vivo. Então é até redundante essa a homenagem do Trem do Samba, porque o samba já é em si um culto aos ancestrais.

Agência Brasil: E como essas homenagens reverberam na programação?
Marquinhos de Oswaldo Cruz:  Nos palcos, entre as centenas de senhores dessa memória, nós escolhemos quatro para homenagear. O palco principal, na Central do Brasil, no local onde o Paulo da Portela se encontrava com os amigos, não vai levar o nome dele nesse ano. Nós vamos homenagear uma mulher. Vai levar o nome de Dona Ivone Lara, a maior dama da história do samba na minha opinião. Quando o trem chega em Oswaldo Cruz, um palco que está posicionado ao lado esquerdo da estação vai levar o nome do Mestre Candeia. O palco fica a 50 metros de onde ele nasceu. E os jovens do hip hop pintaram ali perto a imagem do Candeia. Ficou bonito.

E do outro lado teremos o palco da homenagem a outra grande dama do samba, que é a Tia Doca. Ela organizava as festas, a roda de samba mais antiga do país, de onde saíram vários sambistas como Jovelina Pérola Negra e Zeca Pagodinho. E o palco da Portelinha que é o palco principal vai homenagear esse ano um senhor da memória que deixou a gente há pouco tempo e que teve uma importância muito grande para as gerações mais contemporâneas. Vai ser o Palco Ary do Cavaco. Ele foi presença constante até perto da sua morte nesse espaço onde esse palco vai estar. Ele não abria mão de praticamente todos os dias estar ali.

Agência Brasil: A gente sabe que todo ritmo, ao longo do tempo, sofre transformações e mudanças. Como você vê, nas novas gerações de samba, esse diálogo entre o novo e o tradicional?
Marquinhos de Oswaldo Cruz:  Eu tenho tido surpresas maravilhosas. Em São Paulo, quantos grupos de samba tradicional existem? No Rio de Janeiro, como isso tem sido reforçado. E muitos deles são crias do Trem do Samba. Tem o Criolice, o Terreiro de Crioulo, o Samba à Bangu. Se eu for ficar falando vou ser até injusto com alguns. Na zona sul do Rio, tem também o Pé de Teresa e o Bip Bip, que são lugares desse samba tradicional, que nunca abriram mão de cantar esse samba tradicional. A cultura não é mórbida, ela se transforma, mas ela também tem o seu tempo de se transformar. Ela não pode ficar à mercê do mercado, fazendo transformações precoces para que determinados ritmos acabem. Tem que ter o tempo certo, o tempo da história.

Agência Brasil: Como você avalia o papel das plataformas? Elas podem ser aliadas do samba tradicional?
Marquinhos de Oswaldo Cruz:  Elas são mais democráticas, mas tem que saber como usar. Porque o mercado também sabe usar. Mas é importante dizer que a gente não é contra o mercado, não. A gente não faz aquele discurso anarquista. Pelo contrário, eu quero disputar esse espaço para que o samba tradicional tenha um nicho de mercado como tem o blues, como tem o jazz.




Fonte: Agência Brasil

Brasil lança versão em português do relatório sobre clima do IPCC


Neste sábado (2), o governo brasileiro e o Pacto Global da ONU no Brasil lançam na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP28) a versão em português do Relatório Síntese sobre Mudança Climática 2023, elaborado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC). O evento tem este ano como sede Dubai, nos Emirados Árabes Unidos,

O documento, produto final do Sexto Relatório de Avaliação do IPCC (AR6), resume o conhecimento científico sobre a mudança do clima, impactos e riscos generalizados, possibilidades de mitigação e de adaptação.

Conforme apresentação do relatório – assinada pelo Secretário-Geral da Organização Meteorológica Mundial, Petteri Taalas, e pela secretária-geral adjunta das Nações Unidas e Diretora Executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Inger Andersen -, o relatório síntese “confirma que o uso insustentável e desigual de energia e da terra, bem como mais de um século de queima de combustíveis fósseis, inequivocamente causaram o aquecimento global, com a temperatura da superfície global atingindo 1,1°C a mais que no período de 1850 – 1900 em 2011 – 2020.”

A previsão contida no texto é de que a temperatura global aumentará em 1,5°C na primeira metade da próxima década e “será muito difícil controlar o aumento da temperatura dentro de 2°C até o final do século XXI.” De acordo com o relatório, a limitação do aquecimento global exige zerar as emissões de gás carbônico (CO2) emitido na queima de combustíveis fósseis (como petróleo e carvão) e biomassa (como ocorre nas florestas brasileiras).

Tradução

A tradução do documento é iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), feita em conjunto com o Pacto Global da ONU no Brasil. De acordo com os publicadores, o texto em português facilita amplia a difusão de informações científicas sobre mudança do clima para toda a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) – além do Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné-Equatorial, Moçambique, Portugal, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe.

Em nota, o CEO do Pacto Global da ONU no Brasil, Carlo Pereira, assinala que “o relatório traduzido é um grande esforço e acerto de todas as partes envolvidas. Quando se trata de mudanças climáticas, é preciso ser muito objetivo e derrubar qualquer barreira, dentre elas, a da língua. Tornar as informações científicas acessíveis a mais pessoas, empresas e países traz todos para a ação e permite que tudo seja mais assertivo.”

De acordo com a ministra Luciana Santos (MCTI), a elaboração do Relatório Síntese “contou com a contribuição de diversos cientistas brasileiros nos grupos de trabalho e no processo de elaboração dos relatórios”.

Esse é o quinto documento do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas traduzido pelo MCTI e pelo Pacto Global da ONU no Brasil. Já ganharam versões em português o “Relatório Especial do IPCC sobre o Aquecimento Global de 1,5°C”; o relatório sobre Mudança do Clima e Terra; o relatório O Oceano e a Criosfera em um Clima em Mudança; e o relatório Mudança do Clima 2021.

A CPLP foi criada em 1996 com o propósito de intensificar as relações entre os países falantes do português e também com a finalidade de difundir o idioma. A Declaração Constitutiva descreve que um dos objetivos da comunidade é “o incentivo à cooperação bilateral e multilateral para a proteção e preservação do meio ambiente, nos Estados Membros, com vistas à promoção do desenvolvimento sustentável.” Juntos, os países da CPLP ocupam território de área total de 10 milhões de km² e formam uma população de mais de 250 milhões de habitantes. Apesar da articulação de quase 30 anos, os países não formam bloco de negociação na COP28.




Fonte: Agência Brasil

Maceió registra abalo sísmico na região ameaçada de desabamento


A Defesa Civil de Maceió informou que nesta sexta-feira (1) foi registrado um evento sísmico de magnitude de 0,39Ml a 330m de profundidade na região do Mutange, onde está localizada a mina número 18 de exploração de sal-gema pela Braskem.

O órgão informou que mantém alerta máximo e constante observação devido ao risco de iminente colapso da mina 18, na região do antigo campo de treinamento do clube de futebol CSA, no Mutange. Três sensores no local continuam apresentando alertas de movimentação.

Nas últimas 24 horas, foi registrado 11,4 cm de afundamento, com média de 1 cm por hora.

Braskem retira trabalhadores

Após recomendação do Ministério Público do Trabalho (MPT), a mineradora Braskem retirou seus empregados efetivos e terceirizados da área da mina 18.

O procurador do Trabalho Rodrigo Alencar condicionou a retomada dos trabalhos à avaliação técnica das autoridades competentes no sentido de garantir a segurança de todos os trabalhadores relacionados à empresa.




Fonte: Agência Brasil

Parentes de vítimas do “Massacre de Paraisópolis” pedem justiça


Familiares dos jovens assassinados no caso que ficou conhecido como Massacre de Paraisópolis realizaram nesta sexta-feira (1°) um ato para lembrar o aniversário de quatro anos do episódio. As famílias e amigos das nove vítimas mortas no baile funk DZ7 contaram com o apoio de integrantes de movimentos sociais, como a Rede Emancipa e a União da Juventude Comunista (UJC), para fazer a mobilização e evidenciar o acontecimento como uma violência cometida pelo Estado. Ao todo, 13 policiais respondem pelo crime.

Por volta de 18h, os manifestantes pararam o fluxo de uma das vias em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), estendendo uma faixa preta aonde se lia “Massacre de Paraisópolis – Hora da Justiça”. O protesto seguiu sem problemas. Organizadores chegaram a negociar com a Polícia Militar a caminhada dos manifestantes e o uso de um carro de som.

Em entrevista à Agência Brasil, a doméstica Adriana Regina dos Santos, mãe do jovem Dennys Guilherme dos Santos, uma das vítimas da chacina, lamentou a demora na responsabilização pela morte do filho. A primeira parte do julgamento aconteceu somente no final de julho deste ano e a segunda está marcada para o próximo dia 18.

São Paulo SP 01/12//2023 - Familiares de mortos na chacina de Paraisópolis fazem ato na Avenida Paulista, em frente ao Masp. Foto Paulo Pinto/Agência Brasil

Familiares de mortos na chacina de Paraisópolis dizem não confiar mais na polícia para protegê-los. Foto – Paulo Pinto/Agência Brasil

“São quatro anos. É desumano, é descaso demais, é desrespeito demais”, afirmou ela. “Dizem que os direitos são iguais. Digo ‘dizem’ porque, para mim, não são. Se tivesse direitos iguais, esses policiais estariam pagando. Eu não estaria aqui pedindo justiça. Eu me sinto como se estivesse pedindo vingança e não é, é justiça. É o mínimo, dói demais. Daqui a 27 dias, meu filho completaria 21 anos, mas ele não conseguiu nem completar 17”.

Para Adriana, o fato de o filho ser negro e pobre muda a forma como a sociedade e o Poder Judiciário encaram o que lhe aconteceu. “Se tivesse ali um ‘filhinho de papai’ entre os nove, os nossos seriam também beneficiados pela Justiça. É repugnante. Eu sei, pela índole dele, que meu filho jamais daria problema para a polícia. É a dor da perda e a dor da revolta”, declara.

Perguntada se sempre teve medo da polícia, por conta da truculência com que tratam negros em geral, Adriana responde que não. E conta que, poucos dias antes da morte de seu filho, eles tiveram um diálogo justamente sobre o assunto.

Ele havia se queixado de ter sido parado e revistado pela polícia e ela o acalmou. “Eu falei: que bom, sinal de que a gente tem polícia”. Após a morte do filho, no entanto, começou a rever o tipo de tratamento que os agentes de segurança do Estado dão a pessoas como Dennys e tantos outros.

“Hoje eu não sei qual a educação que dou para meu filho de 14 anos sobre a polícia, porque fico imaginando. Ele é grande e logo deve estar ‘tomando blitz’. Porque, onde a gente mora, chega abrindo a viatura, mostrando a arma e [dizendo] ‘mão na cabeça, vagabundo’”, disse.

“O que meu filho vai fazer? Se ele se lembrar do irmão, vai falar: bom, se coloco a mão na cabeça, vão me matar e, se correr, vão matar. E eu falo o quê? ‘Confia na polícia’? Eu não confio mais”, completou.

Já Ivanira Aparecida da Silva, mãe de Eduardo da Silva, disse que percebeu haver pessoas que se sensibilizam com sua luta por justiça, e isso a ajuda. “Eu acredito é nisso aqui”, afirmou, referindo-se ao protesto e a outros esforços coletivos. “É na união. E união é a força. A Defensoria Pública, que está com a gente, e agora em outro julgamento. Tenho fé em Deus que agora o juiz bata o martelo e os leve [os policiais] a júri popular.”

Nesta sexta-feira, a defensora pública Fernanda Balera, que acompanha o caso, informou à reportagem que, no dia 22 de novembro, a última família foi indenizada. A indenização obtida por Ivanira, com o auxílio da Defensoria Pública, foi fundamental, segundo ela, para reestruturar sua família.

São Paulo SP 01/12//2023 - Familiares de mortos na chacina de Paraisópolis fazem ato na Avenida Paulista, em frente ao Masp. Foto Paulo Pinto/Agência Brasil

Placas homenageiam mortos na chacina de Paraisópolis. Foto – Paulo Pinto/Agência Brasil

Homenagem

O grupo de mulheres Pão e Rosas também participou do ato, apoiando as mães das vítimas do baile funk DZ7. Elas usaram placas que imitam as usadas na identificação das ruas. Algo parecido foi feito em homenagem à Marielle Franco, vereadora assassinada no Rio de Janeiro em 2018. Para Letícia Parks, integrante do grupo, as ruas deveriam levar nomes de vítimas como Marielle e os nove mortos no baile funk.

“Isso [a violência] diz muito em um país onde todos os homenageados [com placas de rua] são assassinos, racistas, bandeirantes. São estátuas, placas de rua, tudo em nome de homenagear gente horrível, que não devia fazer parte da nossa memória. E crianças, jovens como esses, que a gente acredita que não devam ser esquecidos… A gente queria que todas ruas fossem renomeadas. Por enquanto, a gente não consegue. Então, usa esse símbolo da luta por memória como uma luta por justiça”.




Fonte: Agência Brasil

Trabalhadores da Braskem são retirados da área de risco em Maceió


Após recomendação do Ministério Público do Trabalho (MPT), a mineradora Braskem retirou seus empregados efetivos e terceirizados da área da mina 18, na região do Mutange, em Maceió, que está em estado de emergência por causa do risco iminente de desabamento.

Em audiência realizada na tarde desta sexta (1º), no MPT, a Braskem se comprometeu a apenas retomar as atividades na área de risco, inclusive as de vigilância patrimonial, após a mineradora comunicar o MPT.

O procurador do Trabalho Rodrigo Alencar condicionou a retomada dos trabalhos à avaliação técnica das autoridades competentes no sentido de garantir a segurança de todos os trabalhadores relacionados à empresa.

Uma nova reunião entre MPT e Braskem está marcada para a próxima quarta-feira (6).

A Braskem deverá apresentar os planos de gerenciamento de risco, de monitoramento, de emergência e de evacuação na área ameaçada pelo colapso da mina 18.




Fonte: Agência Brasil