Dia de Finados tem pedidos de paz no Cemitério da Penitência no Rio


Ao participar das celebrações do Dia de Finados na capital fluminense, nesta quinta-feira (2), o arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani João Tempesta, alertou para o momento de violência vivido atualmente em todo o mundo e fez um apelo pela paz. “Nos dias de hoje, duas coisas chamam atenção: a situação de guerra e [as] mortes que acontecem no nosso mundo, que machucam e marcam muito nossa sociedade. Precisamos viver e conviver na paz uns com os outros”, disse.

Uma bênção do arcebispo deu início à programação do Dia de Finados no Crematório e Cemitério da Penitência, no Caju, região portuária da capital fluminense. Em seguida, o padre Pedro Paulo Alves dos Santos celebrou uma missa na Capela Histórica, construída em 1905. Na hora da bênção coletiva de Finados, uma revoada de bolas brancas em memória dos entes queridos decorou o céu em torno do Cemitério da Penitência.

Uma mensagem do cardeal com um pedido de paz para o Rio, o Brasil e o mundo foi reproduzida em um painel gigante no topo do cemitério. “Saudemos a memória dos entes queridos e a Paz no mundo!”, mostra o painel.

A mensagem será exibida até domingo (5) em um telão de LED de 252 metros quadrados, no prédio vertical do Cemitério da Penitência, que pode ser visto dos principais corredores viários da cidade, a Avenida Brasil e a Linha Vermelha. A CEO do Crematório e Cemitério da Penitência, Karla Monielly, calcula que a mensagem seja vista por mais de 3 milhões de pessoas que circulam nas vias.

Em outra ação, um pedido de paz subiu ao céu por meio de pipas gigantes, de quase 2 metros, que foram empinadas por pipeiros profissionais. A ação foi para chamar a atenção para o uso de linhas sem cerol, que já provocaram vários acidentes com cortes que terminaram com a morte das vítimas. “A pipa faz parte da cultura popular, mas quantas mortes acontecem pelo uso inadequado da chamada linha chilena. A alegria momentânea da brincadeira pode trazer infelicidade para inúmeras famílias”, analisou Karla Monielly.

A música também serviu para outras homenagens neste 2 de novembro. Durante todo o dia, instrumentistas contratados pelo Cemitério da Penitência executarem composições de intérpretes e compositores que foram enterrados ou cremados no local, como Nelson Sargento, Bibi Ferreira, Paulo Debétio, Beth Carvalho, Moraes Moreira e os MCs Marcinho e Sapão.

A movimentação dos que queriam homenagear as pessoas queridas que já morreram foi grande durante este dia. A direção do Crematório e Cemitério da Penitência estimou em cerca de 5 mil o número de visitantes nesta quinta-feira.




Fonte: Agência Brasil

Frequentadora nota melhora na zeladoria de cemitério de São Paulo


Frequentadora do cemitério São Luiz, na Zona Sul da capital paulista, há mais de 50 anos, dona Graça Maria Alves, de 75 anos, notou melhorias na zeladoria do cemitério, recém concedido à iniciativa privada pela prefeitura municipal. No entanto, ela é cautelosa: “na época do dia de Finados, tudo é bonito”.

“Isso aqui era muito cheio de mato. Agora está todo capinado. Nesse lado não tinha cova, agora já ampliaram. Admirei. Mas nessa época do dia de Finados, tudo é bonito, tudo cuidado, as paredes, tudo é branquinho. Mas vamos ver como será no resto do ano”, disse.

No início do ano, a prefeitura paulistana começou a transferir para a administração privada todos cemitérios da cidade. Os 22 cemitérios da cidade foram concedidos pela prefeitura à iniciativa privada por um período de 25 anos. Quatro consórcios privados, vencedores da licitação, assumiram, desde 7 de março, a gestão, manutenção, exploração, revitalização e expansão dos recintos.

“Antigamente, quando era tempo assim do calor, você não passava em algumas partes do cemitério. O cheiro era muito forte. E quando chovia muito, como as covas eram muito rasas, a gente via, muito mesmo, ossos rolando por aí. E o cheiro era muito forte. Não era desse jeito como agora. Mas tem que ver se vai durar”, ressaltou a frequentadora.

Dona Graça tem dez parentes enterrados no cemitério São Luiz, incluindo seu marido, falecido há 15 anos. “Eu acho que quem está aqui está mais feliz do que a gente que está aqui fora. Eu venho sempre, sempre, venho aqui acender luz pra eles”.

Auditoria

Em junho, uma Auditoria do Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM-SP) encontrou ossos não ensacados e sacos de ossos sem identificação em vistoria nos cemitérios recém-privatizados da capital paulista. O tribunal não especificou em qual dos cemitérios os restos mortais foram encontrados.

Em 13 dos 22 locais, foram encontrados jazigos e túmulos abertos, o que, segundo o TCM, traz risco de acidentes aos visitantes. Em dois cemitérios, nenhum vigilante foi localizado no momento da vistoria.  Os auditores encontraram dez cemitérios sem cerca elétrica ou concertina nos muros e grades. Apenas no Cemitério da Lapa, na zona oeste da capital, foi identificada a instalação de câmeras de segurança, um dos itens obrigatórios conforme o contrato de concessão. Em sete cemitérios foram encontrados buracos e lacunas em muros e grades.

Em setembro, os conselheiros do Tribunal de Contas do Município de São Paulo aprovaram um alerta para a prefeitura depois de novas denúncias de que o contrato de concessão dos cemitérios não está sendo respeitado e o serviço segue com diversas falhas.

Um dos destaques do debate foi a gratuidade de sepultamento a doadores de órgãos. Os familiares têm direito, por lei, a não pagar pelo serviço. No alerta, o TCM determina que a SPRegula e o Serviço Funerário adotem as providências para garantir que as concessionárias implementem imediatamente avisos sobre todas as formas de gratuidades e cumpram as regras.




Fonte: Agência Brasil

São Paulo tem primeiro Dia de Finados com cemitérios concedidos


Frequentadora do cemitério São Luiz, na Zona Sul da capital paulista, há mais de 50 anos, dona Graça Maria Alves, de 75 anos, notou melhorias na zeladoria do cemitério, recém concedido à iniciativa privada pela prefeitura municipal. No entanto, ela é cautelosa: “na época do dia de Finados, tudo é bonito”.

“Isso aqui era muito cheio de mato. Agora está todo capinado. Nesse lado não tinha cova, agora já ampliaram. Admirei. Mas nessa época do dia de Finados, tudo é bonito, tudo cuidado, as paredes, tudo é branquinho. Mas vamos ver como será no resto do ano”, disse.

No início do ano, a prefeitura paulistana começou a transferir para a administração privada todos cemitérios da cidade. Os 22 cemitérios da cidade foram concedidos pela prefeitura à iniciativa privada por um período de 25 anos. Quatro consórcios privados, vencedores da licitação, assumiram, desde 7 de março, a gestão, manutenção, exploração, revitalização e expansão dos recintos.

“Antigamente, quando era tempo assim do calor, você não passava em algumas partes do cemitério. O cheiro era muito forte. E quando chovia muito, como as covas eram muito rasas, a gente via, muito mesmo, ossos rolando por aí. E o cheiro era muito forte. Não era desse jeito como agora. Mas tem que ver se vai durar”, ressaltou a frequentadora.

Dona Graça tem dez parentes enterrados no cemitério São Luiz, incluindo seu marido, falecido há 15 anos. “Eu acho que quem está aqui está mais feliz do que a gente que está aqui fora. Eu venho sempre, sempre, venho aqui acender luz pra eles”.

Auditoria

Em junho, uma Auditoria do Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM-SP) encontrou ossos não ensacados e sacos de ossos sem identificação em vistoria nos cemitérios recém-privatizados da capital paulista. O tribunal não especificou em qual dos cemitérios os restos mortais foram encontrados.

Em 13 dos 22 locais, foram encontrados jazigos e túmulos abertos, o que, segundo o TCM, traz risco de acidentes aos visitantes. Em dois cemitérios, nenhum vigilante foi localizado no momento da vistoria.  Os auditores encontraram dez cemitérios sem cerca elétrica ou concertina nos muros e grades. Apenas no Cemitério da Lapa, na zona oeste da capital, foi identificada a instalação de câmeras de segurança, um dos itens obrigatórios conforme o contrato de concessão. Em sete cemitérios foram encontrados buracos e lacunas em muros e grades.

Em setembro, os conselheiros do Tribunal de Contas do Município de São Paulo aprovaram um alerta para a prefeitura depois de novas denúncias de que o contrato de concessão dos cemitérios não está sendo respeitado e o serviço segue com diversas falhas.

Um dos destaques do debate foi a gratuidade de sepultamento a doadores de órgãos. Os familiares têm direito, por lei, a não pagar pelo serviço. No alerta, o TCM determina que a SPRegula e o Serviço Funerário adotem as providências para garantir que as concessionárias implementem imediatamente avisos sobre todas as formas de gratuidades e cumpram as regras.




Fonte: Agência Brasil

Caminhada em SP pede paz e saúde mental em bairros da periferia


Moradores dos bairros São Luís, Jardim Ângela e Parque Santo Antônio, na zona sul da capital paulista, realizaram hoje (2) a 28ª edição da Caminhada pela Vida e pela Paz, que transcorreu nas ruas dos bairros e se encerrou no cemitério São Luiz, reivindicando saúde, justiça, direitos e dignidade. 

Na década de 90, quando teve início a manifestação, a Organização das Nações Unidas (ONU) chegou a considerar o distrito do Jardim Ângela como o local mais violento do mundo, com taxas alarmantes de assassinatos.

A atual edição da marcha teve como mote “Saúde Mental na Quebrada é Fundamental”, para chamar a atenção para os transtornos causados pela violência nas vítimas e em seus familiares.

“Nós notamos, nos últimos anos, muitas pessoas com problemas de depressão ou envolvendo insônia, muitos problemas pessoais. Nós temos mães que sofreram aqui com violência. Você vai encontrar as mães de Paraisópolis, aquelas que sofreram com a morte dos filhos que foram encurralados lá no bairro de Paraisópolis e a polícia os matou, por exemplo”, destacou um dos membros do Fórum Defesa da Vida do Jardim Ângela, Agnaldo Antônio Santos.

Em dezembro de 2019, em uma ação da Polícia Militar em um baile funk na favela de Paraisópolis, também na zona sul, nove jovens foram mortos, a maioria por asfixia em função da ação repressiva policial. Testemunhas relataram que os agentes jogaram bombas de gás lacrimogêneo em vielas com pouco espaço e impediram as rotas de saída dos jovens, o que teria causado as mortes.

“Nossa região sempre sofreu com o problema da violência, falta de transporte, falta de moradia, falta de creche, assistência social. E todos os anos a gente mobiliza aqui todos os aparelhos, todas as entidades que trabalham aqui na região, em prol da vida, em prol da paz”, acrescentou Santos.

Presente na marcha, Débora Maria da Silva, mãe de Edson Rogério Silva dos Santos – morto em ação policial em 2006, conhecida como Crimes de Maio – ressaltou que os filhos da periferia têm o direito de viver, e que o país precisa se livrar da política do ódio.

“Os nossos mortos têm voz. Nossos filhos querem viver. A gente precisa parir um novo Brasil, uma nova sociedade, sem ódio. Porque mãe é vida, mãe é o amor. E nós não aceitamos que tenhamos um país transformado na política do ódio. Nós queremos paz, mas com justiça social. A gente quer política pública, política de reparação, política de cuidar do outro. Essa é a mensagem”. A ação de vitimou o filho de Débora deixou mais de 400 pessoas mortas

Educação

Como forma de combater a violência, os moradores reivindicaram ainda a implantação de uma estação de metrô na região, a instalação de uma universidade pública e um instituto federal de educação.

“Uma das bandeiras da região é a implantação de uma universidade federal e um instituto federal no Jardim Ângela. Assim como a gente já espera há 11 anos por uma estação de metrô, mas até agora nada”, disse Agnaldo Santos.




Fonte: Agência Brasil

Pescadores do Norte afetados pela seca receberão auxílio de R$ 2.640


O governo federal vai pagar um auxílio extraordinário de R$ 2.640 para pescadores artesanais beneficiários do seguro-defeso cadastrados nos municípios da Região Norte em situação de emergência por causa da seca.

O pescador terá direito mesmo que seja titular de outros benefícios assistenciais ou previdenciários ou de outro benefício de qualquer natureza. O auxílio será pago em parcela única.

Os ministérios da Pesca e Aquicultura e da Previdência Social vão regulamentar a medida provisória (MP) publicada em edição extra do Diário Oficial da União nesta quarta-feira (1º), com os procedimentos necessários para que o pagamento seja feito.

A estimativa é de sejam atendidos pescadores profissionais artesanais de 94 municípios da região definida na MP.

O apoio do governo federal para combater a crise hídrica no Amazonas já soma R$ 627 milhões, o que não inclui o seguro-defeso para os pescadores e outros auxílios emergenciais.

Ouça na Radioagência Nacional:




Fonte: Agência Brasil

Veja como emitir credencial de vaga preferencial de idoso pelo celular


Os condutores de mais de 60 anos não precisam mais ir aos órgãos de trânsito para pegar a credencial de estacionamento em vaga preferencial para idoso. Agora é possível emitir o documento no aplicativo da Carteira Digital de Trânsito.

A ferramenta está disponível em 102 órgãos de trânsito de 17 estados que aderiram ao serviço. A lista completa pode ser conferida no Portal de Serviços da Secretaria Nacional de Trânsito.

A Secretaria Nacional de Trânsito está trabalhando para que idosos não habilitados a conduzir veículos automotores, mas que frequentemente viajam em veículos de terceiros, também possam pedir a credencial de estacionamento de forma digital. Atualmente, a permissão para idosos não condutores só é dada se o interessado for até o órgão local de trânsito.

O serviço já estava disponível no Portal da Senatran, mas foi estendido ao aplicativo da Carteira Digital de Trânsito. A grande vantagem, segundo o Ministério dos Transportes, está na simplificação da aprovação. Isso porque todas as validações de dados pessoais e de documentos são feitas pelo aplicativo. Após a liberação da credencial, basta imprimi-la e fixá-la no painel do veículo.

Documento obrigatório para uso de vagas especiais, a credencial de estacionamento é destinada tanto a condutores maiores de 60 anos quanto a pessoas com deficiência física. Tais vagas são indicadas por pintura no chão ou placas, em ruas e estacionamentos públicos de hospitais, shoppings e outros estabelecimentos comerciais.

Ao estacionar em vagas especiais, os beneficiários devem obrigatoriamente colocar a credencial no painel do veículo ou em local visível para a fiscalização. A não apresentação da credencial caracteriza infração, prevista pelo Artigo 181 do Código de Trânsito Brasileiro, e pode acarretar multa média.




Fonte: Agência Brasil

Brasileira concorre a prêmio no Festival de Documentário de Amsterdã


Ao final de um labirinto sensorial, há duas salas. Na primeira delas, toda branca, encontra-se o quadro A Redenção de Cam, uma pintura feita pelo espanhol Modesto Brocos em 1895, quando ele já estava radicado no Brasil. Nesta sala também é apresentado um vídeo com imagens de arquivo mostrando que o país já abrigou um projeto de eugenia (teoria de que seria possível criar seres humanos melhorados a partir do controle genético). Já na segunda sala, que simula uma mata fechada, toda escura, um filme é projetado entre os reflexos de um pequeno lago questionando o projeto racista de branqueamento da população que esteve em curso no país.

Essa instalação imersiva, poética e crítica sobre a história brasileira, criada pela roteirista e documentarista Mariana Luiza, chama-se Redenção e é o único projeto brasileiro selecionado para a categoria competitiva de documentários imersivos do Festival Internacional de Documentário de Amsterdã (IDFA), que é considerado o maior festival de documentários do mundo. Essa experiência imersiva ficará disponível na galeria de arte LNDWStudio. Neste ano, o festival está marcado para o período de 10 a 19 de novembro.

Em entrevista à Agência Brasil, Mariana Luiza conta que tem estudado o projeto de branqueamento do país e que isso surgiu por um questionamento familiar. “Eu sempre trabalhei com identidade e pertencimento porque eu sempre fiquei num limbo de não saber, não entender direito o que eu era, qual era a minha identidade racial. Sou uma pessoa miscigenada: eu tenho irmão branco, um pai branco e uma mãe mestiça que nem eu. Isso foi me levando a questionar por que eu não conseguia entender quem eu era.”

São Paulo SP 30/10/2023 Mariana Luiza, escritora e roteirista, participa do Festival Internacional de Documentário de Amsterdã (IDFA). Reprodução de fotos da avó de Mariana. Foto Paulo Pinto/Agência Brasil

Reprodução de fotos da avó de Mariana Luiza – Paulo Pinto/Agência Brasil

Esse questionamento se fez mais forte quando a documentarista observou duas fotos de sua avó Divina: uma delas, uma foto de época, original, em que se nota o cabelo crespo e a pele negra (à direita na imagem ao lado). A outra, um retrato de sua avó que depois ela coloriu com aquarela e se pintou com a pele branca e o cabelo ondulado (à esquerda). “Minha avó se achava branca e queria que a gente fosse branco”, lembra. “O que me chamou muita atenção é que eu vivi com essa foto da minha avó a vida inteira e eu nunca tinha percebido que ela tinha se pintado de branco. Isso para mim foi o mais chocante”, relata.

Foi desse processo pessoal, quando teve a percepção de que sua avó era negra, mas não se via como tal, que ela começou a pesquisar sobre qual era o papel do Estado brasileiro na criação da identidade nacional. “Existia, de fato, um projeto para branquear o Brasil e isso aconteceu desde a Independência. Vinha-se atraindo colonos alemães ou europeus para branquear o Brasil desde a Independência. Mas a partir do final do século 19 e início do século 20 é que isso teve uma explosão maior no Brasil. Nessa época também estavam surgindo as pseudociências de eugenia, que foi culminar no nazismo na Alemanha, por exemplo. No Brasil, isso apareceu de uma forma diferente porque o país já era muito miscigenado. Não funcionaria para a nação simplesmente apartar brancos e negros, porque não dava: a maioria da população já era mestiça. Então, a ‘solução’ encontrada pelos eugenistas para resolver esse problema seria branquear gradativamente [a população].”

Redenção

Esse projeto de branqueamento gradativo ou de extermínio da raça negra é o que se vê na pintura A Redenção de Cam, de Modesto Brocos. A tela mostra uma avó negra, uma mãe mestiça e um pai branco olhando para seu bebê, de pele clara.

Essa pintura, que faz parte do acervo do Museu de Belas Artes (MNBA), no Rio de Janeiro, foi apresentada em 1911 no Congresso Universal das Raças, em Londres, como um símbolo da ideologia de branqueamento racial no Brasil. Nesse congresso, o médico João Batista de Lacerda (1846-1915) defendeu seu projeto de extermínio dos negros. “O negro passando a branco, na terceira geração, por efeito do cruzamento de raças”, disse ele, na ocasião.

Para mostrar ao mundo que o Brasil já teve um projeto de extermínio de parte de sua população, a brasileira vai apresentar um labirinto sensorial em Amsterdã para rediscutir e aprofundar reflexões sobre a pintura eugenista de Brocos.

“Nessa primeira sala [do labirinto], que é toda branca, você vai ver o quadro que a gente filmou fazendo um passeio nos detalhes”, descreve a documentarista. “Depois tem um vídeo de material de arquivo que explica o que foi esse projeto de nação. Então, a gente vai contando com documentos e com imagens como foi que o Brasil foi construindo esse ideal de um país, de uma Europa dos trópicos”, completa.

Ela também pretende mostrar que esse projeto foi vencido por uma resistência que sempre ficou escondida na história oficial, mas se fez presente pela força do movimento negro.

“Quando você termina o labirinto, haverá uma sala toda escura, com um lago e cheiro de mata. O que eu queria fazer era a mata como um ideal civilizatório, um projeto de civilização contra esse ‘progresso’ que não deu certo porque não é um progresso, não é um desenvolvimento. O filme se espelha na água para forçar as pessoas a olharem para o espelho d’água e, em vez de verem sua própria imagem, elas verão imagens de pessoas negras que estão resistindo a esse projeto”, conta.

Em seu vídeo projetado na água, uma réplica de A Redenção de Cam será queimada. “Queimar um quadro é também criar um novo símbolo”, destaca. “Queríamos pensar o fogo como esse elemento primordial da criação, mas também como um elemento de destruição para o renascimento. Então, o que a gente está querendo ali, simbolicamente, é destruir esse projeto de nação para que a gente tenha um projeto de pertencimento para todo mundo.”

Nesse labirinto de sombras e luzes, água e fogo, cheiros e imagens, Mariana Luiza quer instigar discussões. Entre elas, se caberia redenção a um país que já desejou exterminar seu povo. “Acho que não dá para redimir [o país], acho que é possível negociar. Não vamos conseguir destruir essa nação, mas negociar um projeto de nação que seja pertencente para todas as pessoas”, observa.




Fonte: Agência Brasil

Risco de inundação provoca fechamento de comportas em Santa Catarina


A Secretaria de Estado de Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina determinou o fechamento de todas as comportas da Barragem Oeste, na cidade de Taió. De acordo com a pasta, a medida foi tomada para evitar inundação.

“O fechamento se faz necessário pois tem o objetivo de diminuir a vazão dos risos à justamente antes da chegada das chuvas previstas”, informou o aviso divulgado na página da secretaria na internet.

O município e as cidades de Laurentino, Rio do Oeste e Rio do Sul estão sob estado de calamidade pública, conforme o decreto do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, assinado na terça-feira (31). A causa da decisão do governador são as fortes chuvas que atingem o estado. “O decreto publicado no Diário Oficial de Santa Catarina tem vigência de 180 dias”, informou o governo catarinense.

A Defesa Civil informou também que a operação na Barragem Oeste está sendo monitorada por equipe técnica. “Ainda há risco muito alto para inundações graduais em toda região do Vale do Itajaí”, completou.

A secretaria pediu para a população ficar atenta aos alertas e seguir as recomendações das defesas civis dos municípios.

Previsão do tempo

De acordo com a Defesa Civil, nesta quinta (2) e amanhã o processo de formação de uma frente fria associada a um ciclone extratropical entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai provoca temporais e chuva intensa em Santa Catarina.

Hoje a previsão é chuva intensa e temporais no Grande Oeste e em áreas de divisa com o Rio Grande do Sul e avançam gradualmente para as demais áreas do estado.

“A chuva intensifica na madrugada e manhã de sexta-feira (03). No período, são esperados acumulados de 100 a 130 mm no Grande Oeste e parte dos planaltos, de 50 a 100 mm no Litoral Sul, Grande Florianópolis e Alto Vale do Itajaí. Já no Baixo e Médio Vale do Itajaí e Litoral Norte, os acumulados variam de 50 a 80 mm”, relatou, acrescentando, que em todas as regiões, podem ser observados pontuais acima dos valores previstos.

Conforme a secretaria “há risco para alagamentos, enxurradas, destelhamentos, danos na rede elétrica e queda de galhos e árvores”.

Já para sexta e sábado (4), a previsão é de ventos mais fortes em todo o estado, com rajadas entre 50 e 80 km/h principalmente no Grande Oeste, Planalto Sul e litoral, podendo superar os 100 km/h na serra. “No final de semana, o afastamento do ciclone extratropical provoca agitação marítima e traz risco para ressaca entre o Litoral Sul e a Grande Florianópolis. A direção das ondas predomina de quadrante sul, com altura média de 2,5 a 3,5 m, com picos de até 4 m”, completou.

A nota da secretaria destacou que no final da tarde de sexta-feira, “um sistema de alta pressão atmosférica começa a avançar sobre o estado, deixando o tempo firme em Santa Catarina. Esta condição de estabilidade permanece até a metade da próxima semana”.

Previsão hidrológica

Segundo a Defesa Civil, os níveis dos rios catarinenses se elevaram na maior parte do estado, por causa das chuvas registradas ao longo da madrugada e nesta manhã. A tendência é que a elevação dos níveis permaneça entre hoje e amanhã trazendo risco muito alto para ocorrências de enxurradas, alagamentos e inundações nas bacias hidrográficas das regiões do Planalto Sul, Grande Oeste, Planalto Norte e Vale do Itajaí.

O risco continua alto para ocorrências de enxurradas e alagamentos, podendo ocorrer extravasamentos em rios menores, como riachos e ribeirões nas bacias das regiões da Grande Florianópolis e Litoral Sul.

Já nas bacias hidrográficas dos Rios Canoas, Negro, Canoinhas e Timbó ainda estão em situação de alerta e emergência para inundações, com tendência de elevação dos níveis ao longo do final de semana.

“É importante ressaltar que as previsões do tempo podem sofrer alterações, assim como a situação hidrológica, que devem ser acompanhadas diariamente. Os órgãos seguem em monitoramento constante das condições meteorológicas e hidrológicas no estado de Santa Catarina e recomendamos sempre acompanhar diariamente a previsão do tempo e os avisos e alertas emitidos por fontes oficiais”, apontou a secretaria.




Fonte: Agência Brasil

Em tempos de guerra, como lidar com o luto coletivo


As dores das guerras e de tantas tragédias chegam pelas TV, pelas janelinhas dos celulares, pela conversa do grupo, pelos gritos ou pelo silêncio diante do que é difícil assimilar e traduzir. Complicado de falar e de sentir. O luto coletivo, segundo especialistas, pode ser simbólico, mas é concreto, que faz doer até o corpo. Nesta quinta (2) o feriado de Finados adquire também significados de reflexão para quem busca lidar com o sofrimento presente na esquina de casa ou mesmo do outro lado do mundo.

“Quando estamos vivenciando guerras, pandemias, passamos a vivenciar perdas simbólicas e concretas coletivamente. Mesmo não conhecendo as pessoas que estão morrendo, nos conectamos com suas histórias e vivenciamos suas dores e perdas”, explica a psicóloga Samantha Mucci. Ela é pesquisadora do tema e coordenadora do Programa de Acolhimento ao Luto (Proalu), e professora do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

A especialista contextualiza que as imagens das guerras expostas diariamente nos remetem a vivências de insegurança, sofrimento, ansiedade e instabilidade presentes na nossa história. “Impossível não nos afetarmos coletivamente. Esse luto coletivo vai além da empatia, da compaixão e da solidariedade. Lembro da imagem de uma criança olhando para os escombros e corpos em sua frente com olhar assustado e cheio de lágrimas que me marcou muito”, exemplifica a professora Samantha Mucci.

A imagem fez com que a professora chorasse recentemente. “Pela humanidade, pelas guerras que já vivemos, pela minha criança interior, pelas minhas perdas, pelos meus lutos já vividos”, diz a professora.

Múltiplas perdas

Para a psicóloga clínica Keyla Cooper, também especializada em luto, o momento de múltiplas perdas atravessa o nosso dia a dia de uma maneira muito significativa, sejam pelas informações que chegam da guerra no Oriente Médio, mas também pelos desequilíbrios causados pelas mudanças climáticas, pelas misérias e fome visíveis.

“O tempo todo a gente se enfrenta com o limite da humanidade. De uma maneira geral, esses problemas afetam aquilo que a gente projeta para o nosso futuro”, explica a professora universitária em Brasília, que é pesquisadora da Universidade de Strathclyde (Glasgow – Escócia).

A instabilidade de pensar no amanhã teve, na avaliação das pesquisadoras ouvidas pela Agência Brasil, um momento-chave que foi a ocorrência da pandemia de coronavírus. Depois, o mundo viu eclodir as guerras da Ucrânia e do Oriente Médio, com mortes de civis. “A previsibilidade da vida foi profundamente abalada”, diz Keyla Cooper. As professoras esclarecem que o luto não é só um processo emocional, mas também uma reação psicológica, emocional, cognitiva, social e espiritual diante de uma perda significativa, não necessariamente apenas de pessoas.

Para as quatro psicólogas ouvidas pela reportagem, é importante que, em quaisquer condições da vivência do luto, a pessoa possa encontrar espaços para se expressar e encontrar empatia. De buscar comunicar a própria dor e encontrar pessoas ou grupos para escutar a fim de se sentir acolhido. “É muito importante a gente refletir, enquanto sociedade, sobre o espaço que a morte tem na nossa vida, qual o sentimento diante do limite que a morte impõe”, contextualiza.

Proteção

É claro sentir a dor do outro ou de viver o luto do outro, tem relação com a nossa capacidade de sermos empáticos. “Pessoas que têm um nível de empatia muito grande, certamente, vão experimentar de uma forma mais intensa a experiência do luto do outro, a experiência do luto coletivo”, ressalta a especialista em psicologia transpessoal, Cynthia Ramos, que trabalha em Brasília.

A psicóloga clínica e educacional Aline Oliveira, que atua em São Paulo, defende que é importante também procurar respeitar a necessidade de silêncio interno que pode ocorrer em alguns momentos de luto. “Se sentir necessário, procurar lugares preparados para falar sobre o assunto, seja em grupos que trabalham com o luto, a psicoterapia individual, ou pessoas próximas de confiança”, aconselha.

Nesse sentido, ela explica que falar abertamente é uma forma de expressar a dor, e pode encontrar um lugar de amparo ao dividir e compartilhar os sentimentos com outras pessoas. “A dor do luto precisa ser vivenciada, reconhecida e respeitada”.

Em suma, a pesquisadora Samantha Mucci concorda que o cuidado deve envolver acolhimento. “Apesar de cada pessoa viver de seu jeito e no seu tempo o processo de luto, é muito bom quando temos com quem compartilhar as histórias que vivemos. “Como pretendemos conviver com a presença da ausência”.

Bombardeados

É importante ainda, de acordo com Keyla Cooper, identificar fatores de sofrimento, como o consumo muito imediato de notícias que são difíceis de se lidar. “A forma como recebemos informações pode ter uma implicação na saúde mental muito significativa. Eu penso que a mídia tem um papel muito importante. É importante veicular as informações, mas eu acho que é importante refletir sobre o como veicular essas notícias.”

Nesse sentido, a especialista em psicologia transpessoal, Cynthia Ramos, enfatiza que, de fato, cada um de nós pode e deve se cuidar. “Quando se trata de um evento de grande magnitude, como guerras, primeiro, não devemos ignorar o que está acontecendo no mundo porque não é a alienação que vai nos proteger. Mas também é importante estarmos atentos a não permitir que sejamos bombardeados ou superexpostos às notícias, às vezes muitas vezes repetitivas”, diz.

Atenção aos sinais

As psicólogas identificam que sintomas físicos podem ser importantes para identificar como ocorre a elaboração de luto. Podem haver, segundo as especialistas, processo de sofrimento manifestação de ansiedade, com raros momentos de prazer e de distração. “Isso pode ser uma demanda para procura de um psicólogo, inclusive se a pessoa constatar sintomas físicos como taquicardia, sudorese e problemas no trato digestivo”, diz a psicóloga Keyla Cooper.

Outros sinais que a pessoa deve ficar atenta é a dificuldade de concentração, apatia, alteração no apetite e no sono. “Alguns sintomas físicos como enxaquecas, náuseas, muita dificuldade de realizar até mesmo os cuidados básicos de higiene como tomar banho e escovar os dentes”, diz a psicóloga Samantha Mucci.

Dos olhos

Segundo Samantha Mucci, da Unifesp, o processo de luto precisa ser vivenciado e ressignificado pela pessoa que está enlutada, pela família, por todos que estão sentindo a perda de alguém ou de algo significativo. “Muitas vezes evitamos e não nos sentimos preparados para lidar com a expressão dos sentimentos relacionados ao processo de luto como a tristeza, sentimento de abandono, a raiva, o sentimento de culpa e pesar, o choro”.

Por isso, chorar e se manifestar são tão fundamentais, conforme avaliam as psicólogas. “Chorar é um processo importante de elaboração dessas emoções. É através do choro e da expressão dos sentimentos que podemos parar para pensar no que está sentindo. Não tem como a gente pular essa etapa”, diz Keyla Cooper.

Afinal, estão envolvidos sentimentos muito particulares que são íntimos e não costumam ser a tônica de postagens em redes sociais preocupadas em propagar ilusões de felicidades permanentes. Como diz a professora da Unifesp, são sentimentos reais “e precisam de espaço, tempo e permissão para serem reconhecidos e vividos”.




Fonte: Agência Brasil

Grupo de brasileiros repatriados da Cisjordânia chega ao Recife


A aeronave VC2 (Embraer 190) da Presidência da República pousou no Recife (PE), as 5h35 desta quinta-feira (2), trazendo 32 brasileiros e familiares vindos da Cisjordânia. Nesta escala, seis deles desembarcaram e o voo segue para Brasília, com os demais 26 repatriados, com o pouso previsto para 8h15 da manhã. 

A aeronave presidencial decolou de Amã na tarde desta quarta-feira (1º), com destino ao Brasil. Esta nova repatriação ocorreu após a atuação do Ministério das Relações Exteriores, por meio do Escritório de Representação do Brasil em na cidade palestina de Ramala, e das Embaixadas em Amã, na Jordânia, e Tel Aviv, em Israel.

O Itamaraty providenciou veículos e garantiu a passagem dos brasileiros que viviam na Cisjordânia por postos de fronteira administrados por Israel e Jordânia, na ponte Allenby/Rei Hussein, além de seu traslado, em segurança, a partir de diferentes pontos na Cisjordânia até o aeroporto de Amã.

A aeronave presidencial que chegou há pouco ao Brasil aguardava, no Cairo (Egito), a repatriação dos brasileiros que ainda deixarão a Faixa de Gaza. O. Ministério das Relações Exteriores informou que este avião será substituído por outro de igual porte, a espera dos brasileiros que aguardam deixar Gaza pela passagem de Rafah, no Egito.

Desde 10 de outubro, 1.445 pessoas deixaram Israel e a Cisjordânia em nove voos da Força Aérea Brasileira (FAB), pela Operação Voltando em Paz.




Fonte: Agência Brasil