“Meu filho de 2 anos achava que bunker era um lugar para ir brincar”


“O pequeno achava que era a sirene de uma ambulância passando, e o bunker era um lugar diferente aonde ele estava indo brincar”. O relato é da analista de dados Nathália Waksman, que faz parte do grupo de 207 brasileiros repatriados de Israel que desembarcaram na madrugada deste sábado (14) no aeroporto internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro. Eles foram trazidos pelo avião KC-30, da Força Aérea Brasileira (FAB), na Operação Voltando em Paz. 

As sirenes que o filho Uriel, de 2 anos, acreditava ser de ambulância eram, na verdade, estridentes alarmes para alertar sobre o disparo de foguetes feitos pelo grupo extremista Hamas.

Nathália atravessou neste sábado o portal de desembarque do aeroporto, empurrando um carrinho cheio de malas e os dois filhos israelenses, Uriel e Benjamim, de 5 anos. Depois de quase sete anos vivendo em Jerusalém, ela entendeu que era hora de pedir ajuda ao governo brasileiro e voltar para o Rio de Janeiro, onde mora a família dela.

“Foram dias intensos e tensos. A situação realmente está muito tensa, e eu não queria correr nenhum tipo de risco com meus filhos, sou sozinha com duas crianças pequenas, então eu quis sair para poder vir para o Brasil”, explica.

Corrida para bunker

Na última semana, por várias vezes ela teve que levar os filhos para um bunker. Algo fora da realidade de um brasileiro, bunker é uma espécie de abrigo, um quarto de segurança presente em muitos prédios e residências israelenses.

“Não tenho o quarto de segurança dentro de casa. Fica no subsolo do meu prédio, e o prédio não tem elevador. Então tinha que descer cinco andares de escada, toda vez que tinha sirene, com os dois [filhos], subir e descer toda hora. A gente teve muita [sirene] no sábado [passado]. Teve de novo na segunda. Esses dias teve uma vez também”, relembra.

“Nunca tinha passado por nada do tipo. Já tinha passado em outros momentos pela questão de foguetes, mas nunca de uma forma que eu me sentisse correndo risco do jeito que eu me senti agora. Foi a primeira vez que eu não me senti segura em Israel”, conta.

Os ataques aos quais Nathália se referem foram iniciados pelo Hamas no sábado passado (7), o que desencadeou respostas de Israel. Milhares de israelenses e palestinos morreram desde então.

Atitudes divididas

Ao mesmo tempo em que Nathália deixava Uriel acreditar que as sirenes eram simples ambulâncias; e bunker, um lugar de brincadeira, ela teve que explicar a Benjamim o que estava acontecendo.

“Ele já entende alguma coisa, então eu expliquei o que ele precisa saber para dar a devida importância para a situação e entender que na hora da sirene não é brincadeira [e tem que se proteger].

Com os pés no Brasil, a analista de dados diz que foi tomada por uma sensação de alívio, mas faz a ressalva de que só voltou por causa dos filhos.

“Alívio principalmente por eles. Se eu estivesse sozinha, talvez teria ficado até para apoiar mesmo o país, apoiar os soldados que estão indo lutar pela gente”, afirma Nathália, que foi morar em Israel por escolha própria. “Eu sou judia, para mim faz muito sentido morar lá, tudo pela questão religiosa e cultural. Dá uma dor ter que sair”, lamenta.

Família completa

A fotógrafa Luíza Santos chegou ao Brasil grávida. Além dela, o marido, um engenheiro israelense, também deixou Israel no voo da FAB. A Operação Voltando em Paz repatriou 701 brasileiros desde quarta-feira.

“Estou muito emocionada porque ver tudo isso que aconteceu nos últimos dias, eu fiquei com muito medo. Ter que voltar, vir para minha casa, deixar todas as nossas coisas lá, eu não sei como vai ficar. É tudo uma surpresa”, diz em um momento de choro.

“A gente viu as atrocidades que aconteceram esta semana, então é tudo muito complicado, nós estamos muito nervosos”, desabafa, antes de agradecer o governo brasileiro pela acolhida e transporte.

A operação organizada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) e pela FAB trouxe também para território brasileiro oito animais de estimação. Dois deles são os cachorros que acompanhavam Luíza e o marido.

“Não tinha como eu vir com o meu marido e deixar meus cachorros lá. E se alguém invade a nossa casa?”, pergunta a fotógrafa que tem família em Ribeirão Preto, no interior paulista, e estava havia nove anos em Israel.

Escolhas

A pesquisadora Priscila Grimberg deixou o aeroporto internacional do Rio com sensações distintas. Ao mesmo tempo em que estava aliviada por reencontrar a filha Maia, de 15 anos, que passou dois anos estudando em Israel, sentia uma lacuna ao entender que a outra filha, Miriam, de 23 anos, escolheu ficar em Israel. Há três anos, ela serve como combatente no exército israelense.

“Ela ficou, como a gente tem visto um movimento muito grande de vários judeus querendo defender o estado. Então ela quis ficar lá para isso”, explica a mãe, que se sente dividida. “Um dilema humano entre olhar o particular e o coletivo. Como mãe, eu quero as minhas filhas aqui; como judia, eu quero uma combatente lá”, diz.




Fonte: Agência Brasil

Eclipse anular do sol neste sábado poderá ser visto do Brasil


O eclipse anular do sol  está previsto para este sábado (14) e poderá ser visto do Brasil. Na ocasião, a lua vai cobrir a maior parte do disco solar, deixando apenas um anel brilhante na borda. O Observatório Nacional, órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, vai transmitir o eclipse em evento virtual O Céu em sua Casa: Observação Remota, que é uma opção para que as pessoas acompanhem o fenômeno com segurança.

A transmissão virtual terá início às 11h30 da manhã (horário de Brasília) quando o eclipse anular estiver começando na costa oeste dos Estados Unidos, e vai acompanhar todo seu percurso até que chegue ao seu final na costa leste do Brasil em torno das 17h30. Para saber onde o eclipse será visível, observatório indica uma página na internet.

“O eclipse anular ocorre quando a Lua, como vista a partir da Terra, parece menor que o Sol [no céu]. Assim, a Lua não cobre o disco solar totalmente, restando um anel luminoso no contorno da lua, daí a razão do nome ‘eclipse anular’”, explicou o doutor em Astrofísica Leonardo Almeida, professor da Escola de Ciências e Tecnologia (ECT) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

O fenômeno é diferente de um eclipse total, quando a lua cobre completamente o disco solar, deixando apenas a coroa solar visível. O Observatório Nacional aponta que o eclipse anular ocorre quando a lua está em seu apogeu, o ponto mais distante de sua órbita da Terra, e nesse momento a Lua aparece menor, o que permite que este anel seja visível no eclipse.

Almeida aponta que essa diferença se deve ao fato de que a órbita da lua ao redor da Terra não é circular, o que faz com que a distância entre ambas varie ao longo do período de translação da Lua.

Tipos de eclipse

“Quando a Lua está mais próxima da Terra, temos um eclipse total; quando a Lua está mais distante, temos um eclipse anular. Nos dois casos, naturalmente, os discos lunar e solar têm de se sobrepor completamente, sem o que se tem um eclipse parcial”, disse o astrofísico. Há ainda o eclipse híbrido, que ocorre quando o eclipse anular muda para um eclipse total, ou vice-versa, ao longo do caminho do eclipse.

O especialista ressalta que o eclipse no formato anular não poderá ser visto de todo o país. “Apenas em alguns estados das regiões Norte (Amazonas, Pará e Tocantins) e Nordeste (Maranhão, Piauí, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba) do Brasil o eclipse anular poderá ser visto. Nos demais estados do país, o eclipse será parcial. Isso ocorre porque a visibilidade de um eclipse depende da posição do observador em relação à linha do eclipse”, disse o astrofísico.

O professor Tarciro Mendes, também da Escola de Ciências e Tecnologia (ECT) da UFRN e doutor em Física, explica que é necessário que o observador esteja exatamente sobre a linha “riscada” pela umbra, que é a região onde a sombra da Lua sobre a Terra é a mais intensa. “Contornando a umbra temos a penumbra, onde os observadores sob ela podem observar um eclipse parcial. Fora da penumbra e da umbra, não é possível observar eclipse algum”, disse.

O físico explicou que, no Brasil, o eclipse começa a ser visto às 14h05 na cidade de Tefé (Amazonas) e acaba às 17h55 na cidade de João Pessoa (Paraíba), considerando o evento completo, tanto anular quanto parcial. “O Brasil é o país do mundo onde a anularidade – período de tempo em que a Lua permanece totalmente dentro do disco solar – terá a maior duração, 55 minutos e 30 segundos”, ressaltou.

Segundo o Observatório Nacional, a anularidade será visível, além do Brasil, nos Estados Unidos, México, Belize, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Colômbia. Em outras partes das Américas – do Alasca à Argentina – um eclipse parcial será visível.

Mendes lembrou que o próximo eclipse anular ocorrerá em 2 de outubro de 2024, mas não poderá ser visto do Brasil, apenas no Chile e na Argentina. “No Brasil, apenas será observado um eclipse parcial nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e uma pequena parte do Nordeste, mais especificamente no sul da Bahia”, disse. Já o próximo eclipse anular a ser observado no Brasil ocorrerá em 26 de janeiro de 2028 e só poderá ser visto completamente nos estados do Amazonas, do Pará e do Amapá.

O último eclipse anular do Sol ocorreu em junho de 2021, mas não foi visível do Brasil, segundo informações do Observatório Nacional.




Fonte: Agência Brasil

Chuva no Rio deve continuar e prejudicar visualização de eclipse


Chove no Rio e as condições do tempo nesta sexta-feira (13) na cidade do Rio estão sendo influenciadas por ventos úmidos vindos do oceano.  A chuva trouxe ventos fracos, com rajadas moderadas nos períodos da tarde e noite. A temperatura entrou em declínio, com mínima de 18° Celsius (ºC) e máxima de 28°C.

O município do Rio entrou em estágio de mobilização às 20h15 desta quinta-feira, (12), devido às condições do tempo. Os ventos estarão moderados (até 51,9 km/h).

O Estágio de Mobilização é o segundo nível em uma escala de cinco e significa que há riscos de ocorrências de alto impacto na cidade. Há possibilidade de nova mudança de estágio devido à chuva e/ou outros fatores.

Para este sábado (14), devido à umidade vinda do oceano em direção ao continente, há previsão de chuva fraca a moderada a qualquer momento. A chuva poderá passar de 10 milímetros por hora (mm/h). A temperatura estará em declínio.

O eclipse lunar previsto para este sábado pode ter a observação prejudicada no Rio, devido ao tempo encoberto com chuva. O eclipse lunar é um fenômeno astronômico que ocorre quando a Lua é ocultada totalmente ou parcialmente pela sombra da Terra, em geral, sendo visível a olho nu. Isto ocorre sempre que o Sol, a Terra e a Lua se encontram próximos ou em perfeito alinhamento, estando a Terra no meio destes outros dois corpos.




Fonte: Agência Brasil

Justiça transforma em preventiva prisão de 3 presos na Barra da TIjuca


A Justiça do Rio de Janeiro transformou em preventiva a prisão em flagrante de Silas Diniz Carvalho, Guilherme Beethoven Barbosa das Chagas e Rogerio Paes Bento, presos esta semana, numa casa de luxo alugada na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense. No local foram encontrados 47 fuzis automáticos distribuídos em várias malas. O que chamou a atenção da polícia foi uma festa dada pelos ocupantes da casa no final de semana, com muita música e dezenas de convidados.

Na ação, ao interrogar os três homens que estavam na residência, eles disseram aos agentes federais que o armamento seria vendido para o tráfico de drogas que domina a favela da Rocinha, em São Conrado, zona sul do Rio.

O juiz Diego Fernandes Silva Santos, que presidiu a audiência de custódia, negou alegação de violação de domicílio por parte dos policiais que prenderam os suspeitos, já que eles foram encontrados em flagrante delito na prática de crime permanente.

Ainda foi encontrado um tijolo com 1,2 quilo de maconha prensada em um carro na porta da casa alugada pelos presos.




Fonte: Agência Brasil

justiça transforma em preventiva prisão de 3 pessoas na Barra


A Justiça do Rio de Janeiro transformou em preventiva a prisão em flagrante de Silas Diniz Carvalho, Guilherme Beethoven Barbosa das Chagas e Rogerio Paes Bento, presos esta semana, numa casa de luxo alugada na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense. No local foram encontrados 47 fuzis automáticos distribuídos em várias malas. O que chamou a atenção da polícia foi uma festa dada pelos ocupantes da casa no final de semana, com muita música e dezenas de convidados.

Na ação, ao interrogar os três homens que estavam na residência, eles disseram aos agentes federais que o armamento seria vendido para o tráfico de drogas que domina a favela da Rocinha, em São Conrado, zona sul do Rio.

O juiz Diego Fernandes Silva Santos, que presidiu a audiência de custódia, negou alegação de violação de domicílio por parte dos policiais que prenderam os suspeitos, já que eles foram encontrados em flagrante delito na prática de crime permanente.

Ainda foi encontrado um tijolo com 1,2 quilo de maconha prensada em um carro na porta da casa alugada pelos presos.




Fonte: Agência Brasil

Amazonas têm 1.664 focos de fogo e Ibama manda reforço de brigadistas


Os incêndios no estado do Amazonas somaram 1.664 focos de fogo ativos até essa quinta-feira (12) identificados por satélite, informou nesta sexta-feira (13) o Ministério de Meio Ambiente (MMA). Para ajudar a controlar a situação, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vai mandar reforço de 149 brigadistas para o Amazonas. Com isso, 289 brigadistas do Ibama devem atuar contra os focos de fogo.  

13/10/2023, Agregado de foco no entorno de Manaus. Foto: CENSIPAM

Agregado de foco no entorno de Manaus. Foto: CENSIPAM – CENSIPAM

Na avaliação da pasta, o desmatamento acumulado no estado, a influência do fenômeno El Niño e as mudanças climáticas agravaram a seca no Amazonas neste ano. Os municípios amazonenses em situação mais crítica são os de Autazes, com 141 focos de fogo, seguido por Careiro  com 110.

“Estamos vivendo situação de emergência climática no Brasil”, afirmou a ministra do MMA, Marina Silva em entrevista coletiva à imprensa nesta sexta-feira, Ela apelou para que a sociedade não realize mais queimadas na região. O governo ainda prometeu disponibilizar dois helicópteros para combate aos incêndios no estado.

Brasília (DF), 13/10/2023, A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, durante entrevista coletiva sobre seca e incêndios no Amazonas. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, durante entrevista coletiva sobre seca e incêndios no Amazonas – José Cruz/Agência Brasil

“É um cenário bastante preocupante e que, portanto, vai exigir do poder público e da sociedade, de um modo geral, uma ação de consciência ao que está acontecendo no mundo. Não estamos vivendo mais as regularidades climáticas com as quais convivíamos. Esse diagnóstico foi feito há mais de 30 anos de que esse momento chegaria e, infelizmente, ele chegou”, destaca a ministra.

Os focos de calor cresceram 147% no mês de outubro no estado do Amazonas se comparado com o mesmo mês de 2022. Outubro reverteu a tendência observada até setembro de redução dos incêndios no Amazonas. Se considerado o acumulado de janeiro à 12 de outubro, houve redução de 11,3% nos focos de calor.

O fogo tem tornado o ar da região metropolitana de Manaus (AM) extremamente poluído. “A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a qualidade do ar, no máximo, não ultrapasse 20 microgramas por metro cúbico (µg/m³) e hoje estamos com Manaus com 225 µg/m³, então a situação é bem grave”, afirmou o presidente do Ibama, Ricardo Coutinho.  A Fiocruz recomenda que a população use máscara em Manaus.

Crise humanitária

O ministro da Integração e Desenvolvimento Nacional, Waldez Góes, acrescentou que o governo vai enviar a quantidade de recursos que forem necessários para combater a crise humanitária no Amazonas.

Brasília (DF), 13/10/2023, A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o ministro do Desenvolvimento Regional do Brasil,
Valdez Gois, durante entrevista coletiva sobre seca e incêndios no Amazonas. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Ministro do Desenvolvimento Regional do Brasil, Valdez Gois, durante entrevista coletiva sobre seca e incêndios no Amazonas – José Cruz/Agência Brasil

“Nos colocaremos recursos diretamente nos municípios só para ajuda humanitária. Quanto aos recursos, é o que for necessário de acordo com os planos que estão sendo apresentados. Essa é a orientação do presidente Lula. Se for necessário ter uma nova medida provisória para atender a Amazônia, como já foram feitas outras vezes, certamente o presidente Lula fará”, afirmou o ministro, durante a coletiva.

Até o momento, 55 municípios já declararam situação de emergência e outros 5 estão em alertas e devem entrar em emergência nos próximos dias.  Há previsão de disponibilização de R$ 30 milhões para os municípios prioritários do Amazonas, e mais R$ 35 milhões do Fundo Amazônia para prevenção e combate a incêndios na região.




Fonte: Agência Brasil

Incêndio atinge concessionária de motos no litoral paulista


Um incêndio atingiu uma unidade da concessionária de motos Honda Sanmell, na Vila Cascatinha, em São Vicente, no litoral paulista. O Corpo de Bombeiros registrou a ocorrência por volta de 5h30 desta sexta-feira (13).

Um total de dez viaturas foram deslocadas para combater o fogo, que já está extinto. Segundo os bombeiros, o incêndio pode ser considerado grande, mas não houve vítimas.

A Agência Brasil entrou em contato com a concessionária e foi informada de que ainda não há estimativa de quantos veículos foram atingidos.

Ainda de acordo com a corporação, as condições do imóvel serão analisadas pela Defesa Civil para identificar possíveis danos à estrutura.




Fonte: Agência Brasil

Naturalistas amadores contribuem com descobertas científicas


Júlio Cesar Ribeiro e sua namorada caminhavam pela região do Vale do Rio Doce, em Minas Gerais. A ideia era apenas conhecer uma nova cachoeira, em uma área próxima da casa dos avós dela. O jovem é um amante da natureza e tem como hobby fotografar o mio ambiente.

Como sempre faz nessas trilhas, Júlio começou a fazer seus registros de espécies vegetais em um paredão rochoso, nas proximidades da cachoeira. “Me bateu uma curiosidade. Pensei: ‘naqueles paredões rochosos, pode ter alguma coisa bacana’ [para fotografar]. Na minha curiosidade, vi essa planta, que parecia um capim-gordura, toda peludinha”.

Mais adiante, Júlio encontrou mais espécimes daquela planta diferente, desta vez com flor. “Ali eu tive a certeza que era uma espécie de planta nova. Na hora, fiquei encantado com as características da planta”.

Aquela não era uma experiência inédita para o jovem mineiro. Ele vive em uma área pródiga para a descoberta de novas espécies e já registrara, anteriormente, várias plantas desconhecidas para a ciência.

Ele já sabia o que fazer nessa situação. Mandou as fotos para especialistas na flora da região para a identificação da espécie. Para a surpresa dos cientistas, aquela espécie era diferente de tudo o que conheciam. Era uma bromélia, mas ao mesmo tempo, não se parecia com outras espécies desta família botânica, devido às suas folhas cobertas de pelos.

Após análise das características da planta, principalmente de sua flor, pesquisadores confirmaram que era uma bromélia, batizada de Krekananthus ribeiranus, em homenagem ao jovem descobridor.

Essa aliás é a segunda espécie de bromélia descrita neste ano, que foi descoberta por Júlio. Antes da bromélia-peluda, ele já tinha encontrado uma Stigmatodon enigmaticus.

“Eu trabalho como guia turístico na região há uns oito anos e estou sempre junto com os pesquisadores que vêm fazer pesquisas aqui, então isso me agrega muito conhecimento. Para quem gosta de natureza, não há nem palavras para descrever a sensação da experiência de descobrir uma nova espécie de planta. É muito prazeroso estar lá descobrindo novas plantas”, diz o jovem, que pretende estudar biologia e se especializar em bromélias e orquídeas.

Uma década antes, Júlio era apenas uma criança quando participou de uma expedição com o pai e outro explorador amador, o geógrafo Reginaldo Vasconcelos, em que foi avistada, na mesma região, uma planta carnívora nova.

Vasconcelos registrou imagens da planta e postou em um grupo de identificação na rede social Facebook, o DetWeb, que reúne especialistas nas mais diversas famílias botânicas e observadores amadores.

Também naquela ocasião, confirmou que se tratava de uma nova espécie, chamada de Drosera magnifica, que usa gotículas pegajosas em suas folhas para aprisionar insetos.

“Naquele dia chuvoso, estávamos eu, o especialista em bromélias Elton Leme, Edmilson Caetano Ribeiro e seu filho Júlio César. Nesse dia fotografei os exemplares da Drosera magnifica. Aquela planta me chamou muito atenção. Depois, postei a foto no grupo onde logo alguns entendedores se manifestaram”, conta Reginaldo. “A natureza é simplesmente surpreendente! Quando vamos para as expedições é como se acendesse uma chama dentro de nós, escutamos o chamado da natureza e percebemos toda sutil informação do ambiente. Descobrir uma espécie nova em dias atuais é um copo de esperança”, conta o geógrafo.

Júlio César e Reginaldo são o que os pesquisadores chamam de cientistas cidadãos (ou cidadãos cientistas), naturalistas amadores que observam e registram a natureza, ajudando a ciência com novas descobertas e com o monitoramento do meio ambiente.

“A gente chama de cidadão cientista a pessoa que não tem a formação técnica na área de pesquisa, mas que tem essa curiosidade sobre o mundo natural que se envolvem, de algum jeito, no levantamento de questões como a identificação das plantas, a distribuição delas etc”, afirma Paulo Gonella, pesquisador da Universidade Federal de São João Del-Rei (UFSJ), que participou da descrição das duas espécies de bromélias e da planta carnívora.

Reginaldo Vasconcelos, por exemplo, não chega a ser um amador, já que é formado em Geografia, uma ciência humana. E, apesar de não ter uma formação específica em ciências biológicas, já contabiliza, segundo ele próprio, a descoberta de 60 novas espécies de plantas, sendo a primeira uma orquídea chamada de Encyclia oliveirana, há duas décadas. Sua última descoberta foi a Merianthera calyptrata, descrita em agosto deste ano.

As redes sociais são uma importante ferramenta para o compartilhamento de informações científicas entre cidadãos comuns e pesquisadores. Os celulares com câmeras acopladas também permitiram uma ampliação dos registros fotográficos da natureza.

“Antes de a gente ter as redes sociais, a gente já tinha os fóruns de discussão na internet. Num desses fóruns, foram postadas as primeiras fotos de uma planta carnívora que depois a gente confirmou ser nova, a Drosera chimaera, descrita em 2014. Outra descoberta muito legal feita nesse mesmo fórum de plantas carnívoras que foi, na verdade, uma redescoberta: a Drosera ascendens, uma espécie descrita originalmente em 1820 e nunca mais tinha sido vista, até que essas fotos foram divulgadas no fórum”, conta Gonella.

No país, existe uma Rede Brasileira de Ciência Cidadã (RBCC), que reúne representantes de instituições de pesquisa e cidadãos comuns interessados em contribuir com a ciência.

Uma das instituições que integram a rede, o Instituto Nacional da Mata Atlântica (Inma), por exemplo, mantém o Programa Ciência Cidadã, que reúne vários projetos envolvendo cidadãos cientistas.

A iniciativa, que conta com a contribuição de mais de 2.300 colaboradores, permitiu o mapeamento da ocorrência de 600 espécies da fauna do Espírito Santo, através de projetos como o Cantoria de Quintal, que estimula cidadãos a registrar a ocorrência de anfíbios em seus quintais, através de fotos, vídeos ou áudios.

“O projeto Cantoria de Quintal incentiva o público a enviar arquivos, sobretudo sonoros, contemplando sapos, rãs e pererecas que habitam quintais ou arredores de residências. As gravações são realizadas e enviadas utilizando aparelhos celulares. O projeto foi criado há menos de três anos e já conta com quase 500 arquivos enviados por 120 colaboradores, incluindo espécies raras, ameaçadas de extinção, pouco conhecidas pela ciência, endêmicas da Mata Atlântica e registros inéditos para o município foco do projeto”, conta o pesquisador do Inma João Victor Lacerda.

O cientista cidadão funcionaria como uma extensão dos braços e olhos do pesquisador, amplificando o alcance da observação científica. “O cientista cidadão, muitas vezes, possibilita a coleta de dados em regiões remotas e/ou em quantidades que não seriam tão cedo atingidas por cientistas profissionais sem essa colaboração”, afirma Lacerda.

Mas, segundo o pesquisador, essa colaboração traz impactos positivos também para o cidadão comum.

“Engana-se quem enxerga a ciência cidadã como uma via de mão única em que o público é considerado um mero instrumento de coleta e envio de dados para atender a demandas científicas. Um projeto de ciência cidadã pode, por exemplo, beneficiar a população envolvendo-a diretamente na busca por compreensão e resolução de problemas locais, como monitoramento da qualidade da água, alteração do regime de incêndios, ou proliferação de pragas e insetos vetores de doenças”.

Além disso, Lacerda explica, esse tipo de colaboração pode facilitar, para a população, a compreensão de como a ciência funciona, aumentando sua credibilidade junto ao cidadão comum. “Esse é um tema especialmente caro à humanidade moderna, sobretudo no Brasil, onde o negacionismo vem ganhando espaço e causando cada vez mais estragos”, completa.




Fonte: Agência Brasil

Terceiro voo de Israel com repatriados chega a São Paulo


A angústia foi grande. Por uma longa semana, a mulher do engenheiro civil Luciano Graicer, 61 anos, não conseguiu dormir. A insônia foi provocada pela preocupação com o filho, Rafael Graicer (foto), que estava em Israel e que, na manhã de hoje (13), retornou ao Brasil. 

Rafael estava em Israel há três meses, vivendo na cidade de Ra’anana. Foi para lá estudar e trabalhava em um hotel, quando tudo aconteceu: a intensificação do conflito entre Israel e o grupo político e militar Hamas, que teve início no último sábado (7) e já contabiliza mais de três mil mortes.

“Foi difícil convencê-lo a voltar. Só convencemos o Rafael a retornar porque eu e a mãe dele pedimos. A mãe não estava desesperada. Ela estava fora de si. Ela não conseguia mais fazer absolutamente nada. E ela o convenceu a voltar”, contou o pai a jornalistas hoje (13), na Base Aérea de Guarulhos, em São Paulo. “Ele viu nosso desespero e conseguimos convencê-lo a retornar”, acrescentou.

Naquele dia 7, quando começou o conflito, Rafael queria ter ido a uma festa rave, chamada Universo Paralello, realizada em Israel, perto da Faixa de Gaza. Mas não foi porque acabou sendo chamado para trabalhar num hotel.

Mais tarde, Rafael soube que militantes do Hamas entraram em território israelense e mataram várias pessoas. Entre elas, mais de 260 que estavam na festa rave. Entre os feridos estava um amigo dele.

“Uns dias antes ele me disse: ‘pai, eu vou em uma festa. Tem uma turma de brasileiros bem grande, mais de 100 pessoas. E eles iriam à festa. No sábado de manhã, ele ligou e me acordou dizendo: ‘eu não fui na festa’. Eu nem sabia o que estava acontecendo. E ele me falou para ligar a TV para ver o que estava ocorrendo [a guerra]. Havia mais de 50 amigos dele, todos brasileiros, que estavam nessa festa. Um dos amigos, que dormia no mesmo quarto, ficou ferido por granadas”, relatou o pai.

Emoção na chegada

A emoção bateu para a família de Rafael quando ele finalmente desembarcou no Brasil e eles puderam vê-lo a distância, separados por uma grade. E eles não foram os únicos a se emocionar. O desembarque foi marcado por acenos de passageiros, choro e abraços com parentes, entre as grades, sob muita emoção. Houve também uma salva de palmas.

Antes de um contato mais forte, os passageiros tiveram que passar pela alfândega na Base Aérea, enquanto os parentes ainda aguardavam do lado de fora.

O terceiro voo de repatriação de brasileiros que estavam em Israel chegou na Base Aérea de Guarulhos às 11h30 de hoje (13). Esse voo faz parte de uma missão do governo federal para trazer de volta ao país brasileiros que desejaram deixar a região de confronto entre o Hamas – grupo político e militar que controla a Faixa de Gaza – e Israel.

O mesmo voo da Força Aérea Brasileira (FAB) é parte da Operação Voltando em Paz. Ele trouxe 69 brasileiros de volta ao país, sendo que cinco deles desembarcaram no Recife mais cedo, às 6h07 da manhã. Por volta das 8h33, o avião saiu do Recife com 64 passageiros a bordo, com destino a São Paulo. Entre os passageiros, duas mulheres grávidas.

Todos esses passageiros decolaram de Tel Aviv, em Israel, ontem (12), às 11h55 (horário de Brasília). A aeronave – um KC-390 Millennium da FAB – fez  pousos técnicos em Lisboa, em Portugal, e em Cabo Verde, antes de chegar ao Recife na manhã de hoje.

Dos passageiros a bordo, 29 são de São Paulo. O restante é de outros estados que seguirão viagem depois. A FAB disponibilizou um ônibus para levá-los da Base Aérea para o aeroporto de Guarulhos.

Segundo a FAB, até o momento, todas as aeronaves empregadas na Operação Voltando em Paz já foram responsáveis pelo retorno seguro de 494 passageiros. A primeira aeronave trouxe ao Brasil 211 deles. A segunda, outros 214.

A violência em Israel e na Palestina chegou ao sétimo dia nesta sexta-feira, com a continuidade de intensos bombardeios na Faixa de Gaza, onde vivem 2,3 milhões de palestinos.

Autoridades locais já contabilizam 1,2 mil mortes e mais de cinco mil feridos. Há pelo menos 180 mil desabrigados. Em Israel, segundo a emissora pública Kan, o total de mortos havia aumentado para 1,3 mil desde o último sábado, quando começaram os ataques violentos do grupo islâmico Hamas.

Outros voos

A FAB informou, também, que há ainda outras aeronaves se preparando para repatriar brasileiros. Um avião KC-30 (Airbus A330) já decolou de Roma, na Itália, às 10h18, no horário local (5h18 em Brasília), com destino a Tel Aviv,  onde fica o Aeroporto Internacional Ben Gurion. A previsão é de que esse voo chegue na noite de amanhã (14) ao Rio de Janeiro. Um outro avião deve chegar ao Rio na noite de domingo (15).  A FAB também se prepara para fazer a primeira repatriação de brasileiros que estão na Faixa de Gaza.

Uma aeronave VC-2 (Embraer 190), utilizada pela Presidência da República, está pronta, no Aeroporto de Roma, na Itália, aguardando autorização das autoridades egípcias para a operação.

Esse avião deve pousar no Egito, já que a expectativa é que os brasileiros saiam pelo posto de fronteira de Rafah, que conecta Gaza com a Península do Sinai, no território egípcio.

Ontem (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, informou ter conversado por telefone com o presidente de Israel, Isaac Herzog, e disse ter agradecido pelo apoio para a retirada de brasileiros do Oriente Médio.

“Reafirmei a condenação brasileira aos ataques terroristas e nossa solidariedade com os familiares das vítimas. Solicitei ao presidente todas as iniciativas possíveis para que não falte água, luz e remédios em hospitais. Não é possível que os inocentes sejam vítimas da insanidade daqueles que querem a guerra”, escreveu Lula.

Ele disse ainda ter feito um apelo para que as pessoas que queiram sair da Faixa de Gaza pelo Egito tenham segurança e se colocou à disposição para tentar encontrar um caminho para a paz.




Fonte: Agência Brasil

PM prossegue com ações contra o crime organizado no Rio


A Polícia Militar (PM) realiza hoje (13) desde as primeiras horas da manhã desta sexta-feira (13), pelo quarto dia nesta semana, uma operação contra o tráfico de drogas nas comunidades da Vila dos Pinheiros e Salsa, que integram o Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro. A ação objetiva também a apreensão de armas pesadas em poder do crime organizado.

A operação está a cargo do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Os militares cercam os principais acessos das comunidades. Estão sendo usados carros blindados de transporte da tropa e retroescavadeiras para retirar as barricadas para evitar a entrada das viaturas policiais.

Outra equipe do Bope está na comunidade da Chacrinha, na Praça Seca, na zona oeste da cidade. Na chegada dos policiais, ocorreu o confronto e um suspeito acabou ferido. Ele foi encaminhado pelo Bope ao Hospital Estadual Carlos Chagas, no bairro de Marechal Hermes. Um fuzil automático 5.56, foi apreendido.

Apreensões

Desde o início do ano, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro já apreendeu 4.702 armas entre eles, 397 fuzis, consideradas armas de guerra.




Fonte: Agência Brasil