No Brasil, 11 milhões de mulheres criam sozinhas os filhos


Pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas  referente a 2022 revela que, no Brasil, 11 milhões de mulheres criam sozinhas os filhos. Deixar de dar aos filhos o afeto necessário para construir laços e prover um desenvolvimento emocional adequado tem nome: abandono afetivo. 

É o caso da saladeira Simone Mendes Silva que nunca soube o que é ter uma figura paterna como referência.

“Minha mãe sempre criou a gente sozinha porque meu pai vivia viajando. Então, minha mãe sempre lutou para criar a gente. Nós somos quatro”, relembra.

E a história se repetiu na vida dos seis filhos, como numa corrente hereditária. Foi ela que proveu o sustento e a criação de todos, sozinha.

“O meu ex- marido, pai dos meus filhos, não tem participação nenhuma na vida dos filhos. Nunca teve”.

Abandono

Levantamento da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (ARPEN) mostra que, em 2022, mais de 164 mil crianças foram abandonadas pelo genitor ainda no útero materno. Em 2023, esse número passou dos 106 mil até julho.

A ausência da figura paterna durante o desenvolvimento das crianças e adolescentes pode ter impacto na saúde física e mental delas. Em muitas situações, causam danos irreparáveis, que podem perdurar por toda uma vida.

A psicóloga Flávia Lacerda explica que a ausência de um genitor pode ter consequências nos relacionamentos futuros, ao causar um apego inseguro. “Esse apego inseguro significa que a pessoa pode ter uma tendência maior a ter ansiedade e dificuldade de se envolver e se vulnerabilizar em relações afetivas amorosas e que pode ter comportamentos também de maior agressividade”.

Desta forma, Flávia ressalta que o cuidado vai além de arcar com os custos. “Prover materialmente não significa que você está cuidando da criança, porque a gente entende que esse cuidado vem de diferentes frentes e ele acontece até mesmo no conflito, mas também no amor que vai sendo construído com o cotidiano”.

Violação

Negligenciar a convivência com os filhos, assim como negar afeto é uma violação dos direitos da criança e do adolescente. Para evitar os possíveis danos, o judiciário tem tomado medidas severas para garantir que de alguma forma essas pessoas em desenvolvimento tenham seus vínculos respeitados.

Para agir contra esse abandono, o Judiciário desenvolveu oficinas de parentalidade. A advogada de família Patrícia Zaponni explica que o intuito é ajudar as famílias a saber como agir. “É quando nós vamos ensinar ao pai e a mãe a ser pai e mãe”, explica. “O amor é opcional, mas o cuidado é dever”, conclui a advogada.

Assista na TV Brasil:




Fonte: Agência Brasil

Lei registra o nome de Margarida Alves como heroína da Pátria


Foi publicada, nesta quinta-feira (17), a lei que registra o nome de Margarida Alves no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, também chamado Livro de Aço, como a heroína das ligas camponesas e dos trabalhadores rurais do Brasil. A líder sindical assassinada na porta de casa, em 1983, por lutar pelos direitos dos campesinos, também dá nome a maior marcha de movimentos sociais de mulheres do país, a Marcha das Margaridas.

A trabalhadora rural, nascida em 5 de agosto de 1933, em Alagoa Grande, no Brejo da Paraíba, tornou-se símbolo da luta por direitos para quem vive do campo, após fazer ecoar sua voz ao longo de 12 anos como presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande. Além de trabalhar pela reforma agrária, contra a violência e pela educação de homens e mulheres camponeses, ela também fundou o Movimento Mulheres do Brejo e o Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural com Paulo Freire.

Em um discurso no Dia do Trabalho de 1983, três meses antes de ser assassinada, Margarida declarou:  “da luta eu não fujo. É melhor morrer na luta do que morrer de fome”. Em 12 de agosto, aos 50 anos, ela foi alvejaada por um tiro de espingarda no rosto, depois de várias ameaças de latifundiários da região.

Apesar de o assassinato ter sido denunciado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, o crime político nunca foi resolvido. Os executores chegaram a ser presos, depois de denunciados pelo Ministério Público, mas acabaram absolvidos depois.

Heróis e heroínas

Abrigado no Panteão da Pátria, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, o Livro de Aço reúne o nome de pessoas que dedicaram suas vidas às lutas por um país melhor. Com o título de Margarida Alves, o livro registra 65 nomes de Heróis e Heroínas da Pátria.

São nomes como Antonieta de Barros, Zumbi dos Palmares, Chico Mendes, Dandara dos Palmares, Nise Silveira, Zuzu Angel e Chico Xavier.

É necessário que seja aprovada uma lei no Congresso Nacional e sancionada pelo Presidente da República, para que a inscrição do novo título aconteça. Só podem ser homenageadas pessoas falecidas há, pelo menos, 10 anos.




Fonte: Agência Brasil

DPU defende direito de pessoa com deficiência levar animal em voos


A Defensoria Pública da União (DPU), por meio da Secretaria-Geral de Articulação Institucional e do Grupo de Trabalho de Atendimento à Pessoa Idosa e à Pessoa com Deficiência, publicou, no início do mês, nota técnica para se manifestar em favor da concessão do direito ao transporte das pessoas com deficiência, em voos nacionais e internacionais, acompanhadas de animal de suporte emocional.

Os chamados animais de assistência emocional ou de suporte emocional acompanham pessoas com sofrimentos psíquicos, com ou sem deficiência, a exemplo de ansiedade, depressão, estresse pós-traumático. Contribuem também no suporte emocional de pessoas com Transtorno do Espectro Autista.

Segundo a DPU, a presença do animal de assistência emocional para as pessoas que deles necessitam é fundamental para o apoio psicológico e psiquiátrico, conferindo segurança, evitando possíveis crises e agravamento do seu estado de saúde. “Consequentemente, ele é necessário para assegurar o direito à mobilidade pessoal com a máxima independência, com plena inclusão e participação social dessas pessoas, conforme preconiza a Convenção Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, da qual o Brasil é signatário, possuindo status de emenda constitucional”, diz a nota.

Outro problema apontado pela DPU é a questão financeira, uma vez que há cobrança de tarifa de transporte para animais domésticos, o que não deveria ocorrer em relação aos animais de suporte emocional.

Legislação

A iniciativa da DPU visa a superar uma lacuna, uma vez que as normas atualmente vigentes sobre transporte de animais não contemplam expressamente os animais de suporte emocional.

A Lei nº 11.126/2005 (conhecida como a lei do cão-guia) e a Portaria ANAC nº 676/GC-5/2000 (previsão de transporte de animais domésticos – cães e gatos – e cães treinados para pessoas com deficiência visual e auditiva que dependam integralmente deles) restringem-se a casos específicos e trazem algumas limitações.

De acordo com a DPU, não há efetiva garantia de ingresso dos cães-ouvintes, para auxílio de pessoas com deficiência auditiva, à exceção de sua dependência do animal ser completa; não há menção aos cães de alerta, fundamentais no reconhecimento de crises de epilepsia, de hipoglicemia ou de ansiedade, por exemplo; nem tampouco dos cães de serviço treinados para buscar objetos, abrir portas e outras eventuais necessidades de pessoas com deficiência orgânica ou física; não há previsão para outros tipos de deficiência, como as decorrentes de síndromes e transtornos previstos como tais no Estatuto da Pessoa com Deficiência – a exemplo das pessoas com transtorno do espectro autista.

O órgão defende o reconhecimento da garantia de transporte da pessoa com deficiência acompanhada de animal de suporte emocional de forma autônoma e independente à regulamentação já existente acerca do transporte de animais domésticos.




Fonte: Agência Brasil

Hacker diz que orientou Ministério da Defesa em relatório sobre urnas


O hacker Walter Delgatti Netto afirmou que orientou os militares responsáveis por produzir o relatório das Forças Armadas sobre a segurança das urnas eletrônicas entregue no dia 9 de novembro de 2022. O hacker preso pela Polícia Federal (PF) depõe nesta quinta-feira (17) na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura os atos golpistas de 8 de janeiro. 

“Eu apenas não digitei, mas fui eu quem fez ele, porque tudo que consta nele foi orientado por mim”, sustentou Delgatti. Segundo ele, o trabalho junto aos militares foi uma ordem do ex-presidente Jair Bolsonaro após uma reunião no Palácio da Alvorada no dia 10 de agosto de 2022. Segundo o hacker, a reunião teria durado cerca de 1h30.

O pedido de Bolsonaro teria sido questionado pelo coronel Marcelo Câmara, que acompanhava a reunião, ainda segundo o depoente. “Ele contrariou. Ele disse: ‘Não, mas lá (no Ministério) é complicado’. E o Bolsonaro disse: ‘Não, isso é uma ordem minha. Cumpra’”, descreveu Delgatti, acrescentando que o ex-presidente teria oferecido o indulto a ele em troca do serviço. O hacker estava com medidas cautelares devido à Operação Spoofing, que apurou a invasão de celulares de procuradores da Operação Lava Jato.

Brasília (DF) 17/08/2023 - O hacker de Araraquara, Walter Delgatti durante depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Atos de 8 de Janeiro de 2023.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O hacker Walter Delgatti durante depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Atos de 8 de Janeiro de 2023. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O hacker disse que esteve cinco vezes no Ministério da Defesa, entrou pela porta dos fundos do prédio, e que se reuniu com o ministro da Defesa, o general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, além de servidores ligados a área de Tecnologia da Informação da pasta.

Ainda segundo Delgatti, como a análise do chamado código-fonte da urna eletrônica só poderia ser feita na sede do TSE, os técnicos do Ministério da Defesa repassavam a ele as informações colhidas no tribunal. “Eles iam até o TSE e me repassavam o que eles viam, porque eles não tinham acesso à internet, eles não podiam levar uma parte do código; eles acabavam decorando um pedaço do código e me repassando”, explicou.

Delgatti reforçou que o relatório das Forças Armadas foi integralmente orientado por ele. “Eu posso dizer hoje que, de forma integral, aquele relatório tem exatamente o que eu disse, não tem nada menos e nada mais”, concluiu.

A reportagem procurou o Ministério da Defesa para comentar o tema e está buscando contato da defesa do general Paulo Sérgio Nogueira. O espaço segue aberto a manifestações.




Fonte: Agência Brasil

PF faz busca pessoal em investigação sobre desvio de joias


A Polícia Federal (PF) informou que cumpriu na noite de quarta-feira (16) um mandado de busca pessoal como parte da Operação Lucas 12:2, que investiga o desvio e a venda de presentes de autoridades estrangeiras ao Estado brasileiro. A PF não detalhou o alvo da ação ou como foram realizadas as diligências.

Na quarta-feira, o advogado Frederick Wassef admitiu ter comprado nos Estados Unidos um relógio Rolex que, segundo o inquérito, havia sido levado ao exterior pela suposta organização criminosa. Wassef, que já defendeu a família do ex-presidente Jair Bolsonaro, é um dos alvos da operação.

Wassef admitiu que usou recursos próprios para comprar um relógio de luxo de marca Rolex nos EUA, no dia 14 de março. Em entrevista coletiva nesta terça-feira (15), Wassef disse que estava em solo americano e soube que o relógio estava lá, então resolveu comprá-lo para devolvê-lo como presente ao governo federal. Ele também negou que tenha sido designado para reaver o relógio que havia sido vendido no país anteriormente.

O relógio foi um presente de autoridades sauditas a Jair Bolsonaro durante uma viagem oficial do então presidente da República em 2019 à Arábia Saudita e ao Catar. O item foi levado para os Estados Unidos, para onde Bolsonaro viajou às vésperas de deixar a Presidência, e foi vendido ilegalmente, de acordo com a Polícia Federal, pelo então ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid. A peça faz parte de um conjunto de objetos de alto valor apreendidos em uma operação em agosto pela PF.

A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no inquérito sobre milícias digitais. O documento da Corte cita especificamente o caso das joias vindas da Arábia Saudita em outubro de 2021. As peças foram presentes para o então presidente Jair Bolsonaro e sua esposa, Michelle Bolsonaro, e entraram no país em comitiva do Ministério de Minas e Energia que esteve no Oriente Médio em eventos oficiais.




Fonte: Agência Brasil

Duas apostas vão dividir prêmio de R$ 3,5 milhões da Mega-Sena


Duas apostas, uma de Juazeiro, na Bahia, e outra de São Paulo, vão dividir o prêmio de R$ 3,5 milhões do concurso 2.621 da Mega-Sena, cujo sorteio foi realizado na noite dessa quarta-feira (16), na capital paulista. Cada ganhador vai receber R$ 1.928.029,09.

As dezenas sorteadas são as seguintes: 06 – 09 – 14 – 16 – 42 – 47.

A quina teve 33 apostas vencedoras; cada acertador vai receber R$ 63.432,99. Já a quadra registrou 3.245 apostas ganhadoras. Os acertadores vão levar, cada um, o prêmio de R$ 921,54.

O próximo sorteio da Mega-Sena está marcado para sábado (19). O prêmio estimado está estimado em R$ 4 milhões.

As apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) do dia do sorteio, nas casas lotéricas credenciadas pela Caixa, em todo o país ou pela internet. O jogo simples, com seis dezenas marcadas, custa R$ 5.




Fonte: Agência Brasil

PF deflagra 14ª fase da Operação Lesa Pátria


A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (17) a 14ª fase da Operação Lesa Pátria. O objetivo é identificar pessoas que participaram dos fatos ocorridos em 8 de janeiro, quando o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) foram invadidos e depredados.

Em nota, a corporação informou que estão sendo cumpridos dez mandados de prisão preventiva, sendo dois no Distrito Federal, dois em Goiás, um na Paraíba, dois no Paraná e três em Santa Catarina, além de 16 mandados de busca e apreensão na Bahia, em Goiás, na Paraíba, no Paraná, em Santa Catarina e no Distrito Federal.

“Os fatos investigados constituem, em tese, os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa, incitação ao crime, destruição e deterioração ou inutilização de bem especialmente protegido e crimes da lei de terrorismo.”

Ainda de acordo com a nota, os alvos da operação são suspeitos de terem fomentado o que a corporação se refere como “Festa da Selma”, codinome utilizado para se referir às invasões.

“O termo Festa da Selma foi utilizado para convidar e organizar transporte para as invasões, além de compartilhar coordenadas e instruções detalhadas para a invasão aos prédios públicos. Recomendavam ainda não levar idosos e crianças, se preparar para enfrentar a polícia e defendiam ainda termos como guerra, ocupar o Congresso e derrubar o governo constituído.”




Fonte: Agência Brasil

Show no Rio marca 90 anos do compositor e cantor Monarco


“Dedico esse DVD a você, minha companheira, que me levanta para eu cantar por aí, porque tive época em que estava desanimado e essa mulher dizia: você vai cantar, você precisa cantar, precisa sair, não fica deitado nessa cama, vai compor. Quando faço um samba novo, ela é a primeira a ouvir. Diz: vai em frente meu filho, vai produzir. Obrigado, meu amor, por tudo, minha companheira!”.

A dedicatória de Hildemar Diniz para Olinda da Silva Diniz foi feita em 2011, na gravação de um DVD, no Teatro Oi Casa Grande, no Leblon, zona sul do Rio. E não foi a única nos 27 anos de relacionamento do casal. Hildemar é o grande compositor e cantor Monarco, baluarte e ex-presidente de honra da Portela, que se fosse vivo completaria 90 anos nesta quinta-feira (17). Nos anos em que viveram juntos também não faltaram composições em homenagem a ela. “Nós vivemos um grande amor. Nós vivemos uma vida linda”, disse Olinda em entrevista à Agência Brasil.

Em outra dedicatória, numa foto que deu para a mulher, escreveu: “Linda eternamente, Olinda. Sonho que se realizou em minha vida. Você é o grande amor que Deus me deu. Beijos do seu querido amor. Monarco. 17/12/96”.

“Eu guardo essa foto que ele me deu de presente. Fora os bilhetinhos muito amorosos que guardo com muito carinho”, contou Olinda, para quem Monarco estava muito “lindinho, parecia um menininho” na foto.

O início do namoro demorou uns dois anos porque Olinda resistia, achando que não daria certo. Afinal, já tinha três filhas e um casamento desfeito. A persistência de Monarco acabou mostrando que estava errada. “Nós começamos a namorar no Jacarezinho [comunidade da zona norte do Rio], na Rua Santa Laura. Me lembro bem que ele me roubou um beijo”,disse, acrescentando que uma amiga deu força para ela aceitar o namoro, antevendo que Olinda seria muito feliz com Monarco.

Matéria 90 anos de Monarco.  O texto faz referência a esta foto e à dedicatória. Foto: Arquivo Pessoal

Matéria 90 anos de Monarco. O texto faz referência a esta foto e à dedicatória. Foto: Arquivo Pessoal – Arquivo pessoal

Casamento

Ainda assim, namoraram durante dez anos, até que se casaram na quadra da Portela, com direito a participações do cantor e compositor Paulinho da Viola, da cantora Beth Carvalho, do cartunista Lan e do compositor Guilherme de Brito. “Ele me disse: você é a mulher da minha vida. Vamos casar?’ Eu falei, agora, só se for agora”, comentou, sorrindo, sobre o pedido feito pelo companheiro.

Monarco morreu no dia 11 de dezembro de 2021, em consequência de complicações após uma cirurgia de intestino. “Eu me emociono a cada vez que falo nele. Um ano e oito meses fez agora, dia 11, que a gente se despediu com lágrimas nos olhos e eu dizendo para ele o quanto o amava e o quanto ele era importante na minha vida. Era não, é”, afirmou.

“Ele dizia toda manhã: pretinha eu já te disse hoje o quanto te amo? Como sinto saudade de ouvir isso todos os dias. E eu dizia para ele: meu filho, eu sou a mulher mais feliz, porque amo você também. Eu pude dar a ele a alegria de ser amado”.

Compositor

A carreira começou cedo. Aos 8 anos, compôs o primeiro samba. Numa entrevista em janeiro de 2016 à Agência Brasil, Monarco contou que tinha 12 anos quando se mudou de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, para Oswaldo Cruz, na zona norte do Rio. A casa ficava bem perto da quadra da escola, conhecida atualmente como Portelão. “Era só descer, e em cinco minutos estava dentro da Portela”, lembrou, na época.

Antes de se mudar para Oswaldo Cruz, morava em Nova Iguaçu onde já ouvia, pelo rádio, músicas que se referiam à escola e que despertaram o seu amor pela azul e branco. “Quando cheguei a Oswaldo Cruz, disse aos meus irmãos que ali era a Portela. Fui com a minha família. Eu era o menor”.

Compositor da Velha Guarda da Portela, Monarco está na escola de Madureira desde os 12 anos

Compositor da Velha Guarda da Portela, Monarco está na escola de Madureira desde os 12 anos – Divulgação/Arquivo pessoal

Parte da história da Portela pode ser contada também pelos sambas de Monarco, que enaltecem a escola e o bairro de Oswaldo Cruz. O primeiro foi em 1952. O compositor fazia questão de destacar que embora se fale da azul e branco como escola de Madureira, a origem é outra. “Oswaldo Cruz foi onde ela nasceu. Queira ou não queira, não se pode renegar o lugar em que nasceu. Eu gosto muito de Madureira, mas ela tem as raízes fincadas em Oswaldo Cruz”, afirmou, acrescentando que os dois bairros cresceram muito e se misturaram.

Surpresa

Quando se conheceram, Olinda não sabia que ele era um compositor de destaque no mundo do samba. Ficou surpresa ao saber que a música Fim de Sofrimento, da qual gostava muito e pensava ser de Beth Carvalho, tinha sido composta por ele. “Eu quase caí dura e fiquei com a cara vermelha”, comentou, destacando que na gravação do DVD ele a surpreendeu cantando a música e ainda fazendo a dedicatória a ela.

Homenagens

A lista de definições de Monarco mostra o quanto o artista é reverenciado. “Esse homem é de um caráter imensurável, de dignidade, carinho, amor, respeito. Eu não tenho mais adjetivos para qualificar essa pessoa linda chamada Hildemar Diniz, o Monarco da Portela, o meu grande amor”, disse Olinda.

“Monarco é matéria obrigatória para quem trabalha e mexe com samba, na qualidade musical e de letras fantásticas. Era uma pessoa extraordinária, fantástica e muito generosa. Além de tudo era um grande cantor, com uma extensão vocal muito marcante. Era completo. Realmente dá saudade. Estou feliz de ir lá para homenageá-lo”, disse a cantora Nilze Carvalho à reportagem, destacando que as letras tinham simplicidade porque falavam direto ao coração, mas as melodias tinham certa complexidade.

“Pessoa de um talento incrível”, disse a pesquisadora da Música Popular Brasileira, compositora e escritora, Marília Trindade Barboza.

“O legado que ele deixou não só pela questão musical, mas de conduta pessoal. A humildade, a personalidade dele, não se fazia humilde, era humilde. As pessoas dizem que a unanimidade é burrice, mas ele era unânime. Todos gostavam dele”, contou o compositor e produtor musical Mauro Diniz, filho de Monarco.

A pesquisadora contou ainda que quando se preparava para fazer a biografia de Paulo Benjamin de Oliveira, o Paulo da Portela, fundador da azul e branco, foi à quadra da escola e conheceu a Velha Guarda, que tinha Monarco como líder. “Ele me ajudou a conduzir o trabalho, me apresentou às pessoas certas e de lá pra cá tivemos uma troca muito grande”, disse, lembrando que Monarco tinha em Paulo da Portela um ídolo.

A importância das obras deixadas por Monarco é também unanimidade. “E fico feliz de as pessoas não deixarem esse legado morrer. Aquela voz maravilhosa, aquele timbre, aquele grave na voz que ninguém tem”, disse Olinda.

90 anos

Para marcar os 90 anos de Monarco, amigos, parentes e admiradores se reúnem nesta quinta-feira (17) em um show. O espetáculo, marcado para começar às 18h30, será no auditório do 9º andar da sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio. A organização é do ex-presidente da Portela e diretor cultural da Liga das Escolas de Samba do Rio (Liesa) e da Federação Nacional das Escolas de Samba (Fenasamba), Luiz Carlos Magalhães, da pesquisadora Marília Trindade Barboza, de Olinda e de um grupo de amigos do compositor portelense.

Rio de Janeiro (RJ), 25/07/2023 - Esculturas de Cartola e Monarco no Museu do Samba, na Mangueira. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Museu do Samba, na Mangueira, por Fernando Frazão/Agência Brasil

A direção musical é do produtor e compositor Mauro Diniz e do músico Paulão 7 Cordas. “A gente tem uma expectativa muito boa de que seja uma homenagem por tudo aquilo que ele plantou e deixou pra gente”, disse o filho.

Ele contou que se tornou músico por influência do pai, apesar de preferir que o filho “fosse doutor”. “Quando ele viu, eu já estava tocando um pouco, estava escrevendo uma coisinha e depois nos tornamos parceiros. Uma coisa muito bonita. Temos vários sambas inéditos”, relatou.

Marília Barboza lembrou que, coincidentemente, a ABI foi o primeiro emprego de carteira assinada de Monarco, quando tinha 15 anos. “Ele teve lá um dos momentos mais felizes, porque era criança, tinha 15 anos e ali teve chances maravilhosas. A ABI era uma coisa efervescente naquele tempo, os jornalistas e intelectuais iam para lá e ele arrumava a mesa para [Heitor] Villa-Lobos jogar bilhar. Ele conheceu os grandes ícones do jornalismo, o pessoal da Academia Brasileira de Letras”, comentou a pesquisadora.

Já estão confirmadas as apresentações da Velha Guarda da Portela, de Nilze Carvalho, Dorina, Toninho Geraes, Tânia Machado, Didu Nogueira, Marquinhos Diniz, Eliane Farias, Iracema Monteiro, Léo Russo e Pedro Paulo Malta, entre outros. O encerramento será com a escola de samba mirim da Portela, Filhos da Águia. “A ideia é mandar a música do Monarco para o futuro”, afirmou Marília.

“Estou cultivando a memória dele. Isso está me fazendo feliz. Não quero que esse legado, que ele deixou para nós e para o universo, se apague. O sonho de Monarco era ver um jovem cantando um samba dele”, disse Olinda.

A entrada é franca e quem não for ao local, poderá assistir o show ao vivo pelo canal ABITV no YouTube.




Fonte: Agência Brasil

Show no Rio marca 90 anos do cantor e compositor Monarco


“Dedico esse DVD a você, minha companheira, que me levanta para eu cantar por aí, porque tive época em que estava desanimado e essa mulher dizia: você vai cantar, você precisa cantar, precisa sair, não fica deitado nessa cama, vai compor. Quando faço um samba novo, ela é a primeira a ouvir. Diz: vai em frente meu filho, vai produzir. Obrigado, meu amor, por tudo, minha companheira!”.

A dedicatória de Hildemar Diniz para Olinda da Silva Diniz foi feita em 2011, na gravação de um DVD, no Teatro Oi Casa Grande, no Leblon, zona sul do Rio. E não foi a única nos 27 anos de relacionamento do casal. Hildemar é o grande compositor e cantor Monarco, baluarte e ex-presidente de honra da Portela, que se fosse vivo completaria 90 anos nesta quinta-feira (17). Nos anos em que viveram juntos também não faltaram composições em homenagem a ela. “Nós vivemos um grande amor. Nós vivemos uma vida linda”, disse Olinda em entrevista à Agência Brasil.

Em outra dedicatória, numa foto que deu para a mulher, escreveu: “Linda eternamente, Olinda. Sonho que se realizou em minha vida. Você é o grande amor que Deus me deu. Beijos do seu querido amor. Monarco. 17/12/96”.

“Eu guardo essa foto que ele me deu de presente. Fora os bilhetinhos muito amorosos que guardo com muito carinho”, contou Olinda, para quem Monarco estava muito “lindinho, parecia um menininho” na foto.

O início do namoro demorou uns dois anos porque Olinda resistia, achando que não daria certo. Afinal, já tinha três filhas e um casamento desfeito. A persistência de Monarco acabou mostrando que estava errada. “Nós começamos a namorar no Jacarezinho [comunidade da zona norte do Rio], na Rua Santa Laura. Me lembro bem que ele me roubou um beijo”, disse, acrescentando que uma amiga deu força para ela aceitar o namoro, antevendo que seria muito feliz com Monarco.

Matéria 90 anos de Monarco.  O texto faz referência a esta foto e à dedicatória. Foto: Arquivo Pessoal

Matéria 90 anos de Monarco. O texto faz referência a esta foto e à dedicatória. Foto: Arquivo Pessoal – Arquivo pessoal

Casamento

Ainda assim, namoraram durante dez anos, até que se casaram na quadra da Portela, com direito a participações do cantor e compositor Paulinho da Viola, da cantora Beth Carvalho, do cartunista Lan e do compositor Guilherme de Brito. “Ele me disse: você é a mulher da minha vida. Vamos casar? Eu falei: agora, só se for agora”, comentou, sorrindo, sobre o pedido feito pelo companheiro.

Monarco morreu no dia 11 de dezembro de 2021, em consequência de complicações após uma cirurgia de intestino. “Eu me emociono a cada vez que falo nele. Um ano e oito meses fez agora, dia 11, que a gente se despediu com lágrimas nos olhos e eu dizendo para ele o quanto o amava e o quanto era importante na minha vida. Era não, é”, afirmou.

“Ele dizia toda manhã: pretinha eu já te disse hoje o quanto te amo? Como sinto saudade de ouvir isso todos os dias. E eu dizia para ele: meu filho, eu sou a mulher mais feliz, porque amo você também. Eu pude dar a ele a alegria de ser amado”.

Compositor

A carreira começou cedo. Aos 8 anos, compôs o primeiro samba. Numa entrevista em janeiro de 2016 à Agência Brasil, Monarco contou que tinha 12 anos quando se mudou de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, para Oswaldo Cruz, na zona norte do Rio. A casa ficava bem perto da quadra da escola, conhecida atualmente como Portelão. “Era só descer, e em cinco minutos estava dentro da Portela”, lembrou, na época.

Antes de se mudar para Oswaldo Cruz, morava em Nova Iguaçu onde já ouvia, pelo rádio, músicas que se referiam à escola e que despertaram o seu amor pela azul e branco. “Quando cheguei a Oswaldo Cruz, disse aos meus irmãos que ali era a Portela. Fui com a minha família. Eu era o menor”.

Compositor da Velha Guarda da Portela, Monarco está na escola de Madureira desde os 12 anos

Compositor da Velha Guarda da Portela, Monarco está na escola de Madureira desde os 12 anos – Divulgação/Arquivo pessoal

Parte da história da Portela pode ser contada também pelos sambas de Monarco, que enaltecem a escola e o bairro de Oswaldo Cruz. O primeiro foi em 1952. O compositor fazia questão de destacar que embora se fale da azul e branco como escola de Madureira, a origem é outra. “Oswaldo Cruz foi onde ela nasceu. Queira ou não queira, não se pode renegar o lugar em que nasceu. Eu gosto muito de Madureira, mas ela tem as raízes fincadas em Oswaldo Cruz”, afirmou, acrescentando que os dois bairros cresceram muito e se misturaram.

Surpresa

Quando se conheceram, Olinda não sabia que ele era um compositor de destaque no mundo do samba. Ficou surpresa ao saber que a música Fim de Sofrimento, da qual gostava muito e pensava ser de Beth Carvalho, tinha sido composta por ele. “Eu quase caí dura e fiquei com a cara vermelha”, comentou, destacando que na gravação do DVD ele a surpreendeu cantando a música e ainda dedicando a ela.

Homenagens

A lista de definições de Monarco mostra o quanto o artista é reverenciado. “Esse homem é de um caráter imensurável, de dignidade, carinho, amor, respeito. Eu não tenho mais adjetivos para qualificar essa pessoa linda chamada Hildemar Diniz, o Monarco da Portela, o meu grande amor”, disse Olinda.

“Monarco é matéria obrigatória para quem trabalha com samba, na qualidade musical e de letras fantásticas. Era uma pessoa extraordinária, fantástica e muito generosa. Além de tudo era um grande cantor, com uma extensão vocal muito marcante. Era completo. Realmente dá saudade. Estou feliz de ir lá para homenageá-lo”, disse a cantora Nilze Carvalho à reportagem, destacando que as letras tinham simplicidade porque falavam direto ao coração, mas as melodias tinham certa complexidade.

“Pessoa de um talento incrível”, disse a pesquisadora da Música Popular Brasileira, compositora e escritora Marília Trindade Barboza.

“O legado que ele deixou marca não só pela questão musical, mas de conduta pessoal. A humildade, a personalidade dele, não se fazia humilde, era humilde. As pessoas dizem que a unanimidade é burrice, mas ele era unânime. Todos gostavam dele”, disse o compositor e produtor musical Mauro Diniz, filho de Monarco.

A pesquisadora contou ainda que quando se preparava para fazer a biografia de Paulo Benjamin de Oliveira, o Paulo da Portela, fundador da azul e branco, foi à quadra da escola e conheceu a Velha Guarda, que tinha Monarco como líder. “Ele me ajudou a conduzir o trabalho, me apresentou às pessoas certas e, de lá pra cá, tivemos uma troca muito grande”, afirmou, lembrando que Monarco tinha em Paulo da Portela um ídolo.

A importância das obras deixadas por Monarco é também unanimidade. “E fico feliz de as pessoas não deixarem esse legado morrer. Aquela voz maravilhosa, aquele timbre, aquele grave na voz que ninguém tem”, observou Olinda.

90 anos

Para marcar os 90 anos de Monarco, amigos, parentes e admiradores se reúnem nesta quinta-feira (17) em um show. O espetáculo, marcado para começar às 18h30, será no auditório do 9º andar da sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio. A organização é do ex-presidente da Portela e diretor cultural da Liga das Escolas de Samba do Rio (Liesa) e da Federação Nacional das Escolas de Samba (Fenasamba), Luiz Carlos Magalhães, da pesquisadora Marília Trindade Barboza, de Olinda e de um grupo de amigos do compositor portelense.

Rio de Janeiro (RJ), 25/07/2023 - Esculturas de Cartola e Monarco no Museu do Samba, na Mangueira. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Museu do Samba, na Mangueira, por Fernando Frazão/Agência Brasil

A direção musical é do produtor e compositor Mauro Diniz e do músico Paulão 7 Cordas. “A gente tem uma expectativa muito boa de que seja uma homenagem por tudo aquilo que ele plantou e deixou pra gente”, disse o filho.

Ele contou que se tornou músico por influência do pai, apesar de preferir que o filho “fosse doutor”. “Quando viu, eu já estava tocando um pouco, estava escrevendo uma coisinha e depois nos tornamos parceiros. Uma coisa muito bonita. Temos vários sambas inéditos”, relatou.

Marília Barboza lembrou que, coincidentemente, a ABI foi o primeiro emprego de carteira assinada de Monarco, quando tinha 15 anos. “Ele teve lá um dos momentos mais felizes, porque era criança, tinha 15 anos e ali teve chances maravilhosas. A ABI era uma coisa efervescente naquele tempo, os jornalistas e intelectuais iam para lá e ele arrumava a mesa para [Heitor] Villa-Lobos jogar bilhar. Ele conheceu os grandes ícones do jornalismo, o pessoal da Academia Brasileira de Letras”, comentou a pesquisadora.

Já estão confirmadas as apresentações da Velha Guarda da Portela, de Nilze Carvalho, Dorina, Toninho Geraes, Tânia Machado, Didu Nogueira, Marquinhos Diniz, Eliane Farias, Iracema Monteiro, Léo Russo e Pedro Paulo Malta, entre outros. O encerramento será com a escola de samba mirim da Portela, Filhos da Águia. “A ideia é mandar a música do Monarco para o futuro”, afirmou Marília.

“Estou cultivando a memória dele. Isso está me fazendo feliz. Não quero que esse legado, que ele deixou para nós e para o universo, se apague. O sonho de Monarco era ver um jovem cantando um samba dele”, disse Olinda.

A entrada é franca e quem não for ao local, poderá assistir o show ao vivo pelo canal ABITV no YouTube.




Fonte: Agência Brasil

Petrópolis reaviva ligação secular com imigração japonesa


Quando o assunto é a história da imigração japonesa no Brasil, geralmente a primeira cidade que vem à mente é São Paulo. Afinal, e lá na capital paulista que está a maior comunidade do país asiático no Brasil. Por outro lado, quando se fala em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, sabe-se logo que a região é chamada até hoje de Cidade Imperial, por ter servido de residência da Família Real brasileira. 

Mas o que pouco se fala é que a relação entre Brasil e Japão começou justamente em Petrópolis. A cidade de clima ameno foi a escolhida para sediar a primeira delegação diplomática do país asiático no Brasil. É para fazer essa ligação ficar mais e mais conhecida que Petrópolis comemora, a partir desta quinta-feira (17) o Bunka-Sai, a Festa da Cultura Japonesa. Bunka-Sai é uma transliteração que significa cultura, em japonês.

O marco da imigração japonesa no Brasil completou 115 anos em junho. Mas a relação com Petrópolis é mais antiga que isso. Em 1897, dois anos depois da assinatura do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação, entre o Brasil e o Japão, chegou ao Brasil o primeiro grupo diplomático japonês, que ficou hospedado em Petrópolis, no então Alexandria Hotel, atual Convento Nossa Senhora de Lourdes. No mesmo ano, foi aberta na cidade a primeira representação diplomática do Japão.

“Petrópolis foi escolhida por causa do surto de febre amarela no Rio [então capital do Império]”, explica à Agência Brasil o presidente da Associação Nikkei de Petrópolis, Masao Nakashima.

Em 1906, a partir de um relatório enviado de Petrópolis para o governo japonês, as fronteiras do Brasil foram abertas para a imigração japonesa. No dia 18 de junho de 1908, 781 japoneses desembarcaram do navio Kasato Maru, no Porto de Santos, em São Paulo, para trabalhar nas lavouras de café, dando início oficial à comunidade nipônica em solo brasileiro.

O festival Bunka-Sai se estende até o domingo (20) e acontece no Palácio de Cristal, construção de arquitetura eclética, inaugurado em 1884. Na programação, oficinas de mangá (as famosas histórias em quadrinhos japonesas), origami, palestras, espetáculos de danças e músicas inspirados em animes (estilo de animação gráfica), demonstrações de artes marciais, artesanato e a tão famosa culinária japonesa. As atrações são de graça.

“O Bunka-Sai é importante para manter vivo os ensinamentos, costumes e a nossa tradição”, avalia Nakashima, filho de japoneses e nascido em São Paulo.

“Neste ano de comemoração pelos 115 anos da imigração japonesa no Brasil, a festa vai ser ainda mais especial. Turistas e petropolitanos vão poder explorar novas experiências em uma oportunidade única de imersão na fascinante cultura japonesa”, promete a secretária municipal de Turismo, Silvia Guedon.

O festival faz parte do calendário de eventos da cidade desde 2008, quando a festa foi criada em comemoração do centenário da imigração japonesa. Na época, era batizado de Nippon Matsuri, festival japonês em português.

“A história de Petrópolis é rica e diversificada. Vai além do Império e da colonização germânica. A imigração japonesa tem ligação direta conosco, e o Bunka-Sai é uma festa que resgata e apresenta para as novas gerações a história, o legado e as contribuições para a cultura, a gastronomia e para o desenvolvimento econômico de Petrópolis e do Brasil como um todo”, destaca o prefeito de Petrópolis, Rubens Bomtempo.

A cidade tem outras formas de manter viva a ligação com o país asiático, como o Museu do Japão e o Circuito das Cerejeiras, que reproduz na Cidade Imperial a beleza da floração das sakuras, como são chamadas no Japão. A beleza da natureza é a mesma, a diferença é o período de exibição. Enquanto no Japão florescem entre o fim de março e início de abril – começo da primavera, no Brasil a floração acontece da metade de julho até agosto. Lugares de atração turística como o Lago do Quitandinha, o Museu Imperial e o Palácio Rio Negro receberam as sementes da espécie.

Integração Brasil-Japão

O interesse de manter viva a história da relação entre os dois países é justificado pelo intercâmbio populacional. Segundo a Embaixada do Japão no Brasil, aproximadamente 2 milhões de japoneses e descendentes vivem no Brasil. É a maior população de origem japonesa fora do Japão. Além disso, o Japão é o quinto país com a maior comunidade brasileira no exterior. São quase 207 mil, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores.

Petrópolis reaviva ligação secular com imigração japonesa. Foto: Bunka-Sai

Petrópolis reaviva ligação secular com imigração japonesa. Foto: Bunka-Sai –

A relação diplomática entre ambos só foi interrompida entre 1942 e 1952, por causa da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Este ano, a integração entre os dois países pode aumentar ainda mais. No último dia 9, os dois países anunciaram a isenção bilateral de exigência de visto de turismo a partir de 30 de setembro de 2023. Assim, turistas japoneses poderão visitar o Brasil sem a obrigatoriedade da emissão de visto, o que também valerá para os brasileiros que planejam ir ao Japão.

Presença japonesa

Além da influência da cultura japonesa no cotidiano dos brasileiros, como a culinária, chás e artes marciais, entre outros elementos, há cidades especificas com presença forte de tradições e costumes nipônicos.

Em São Paulo, o bairro da Liberdade proporciona a sensação de estar quase em ruas japonesas, com uma arquitetura oriental e fachadas com ideogramas (símbolos gráficos).

A cidade de Assaí, no Paraná, abriga uma comunidade nipo-brasileira desde 1930 e realiza eventos tradicionais no Japão, como o Bon Odori e o Tanabata. O sistema de produção agrícola também é realizado com técnicas japonesas.

Ivoti, no Rio Grande do Sul, recebeu 26 famílias de imigrantes em 1966, formando uma colônia japonesa produtora de uvas, kiwi, hortaliças e flores. A população cresceu e atualmente é responsável por realizar festas culturais, como a Feira da Colônia Japonesa, a gincana esportiva Undo Kai e o evento Enguei Kai.

Na Região Norte, a cidade de Tomé-Açu, no Pará, recebeu imigrantes japoneses em 1926. Três anos depois, a Companhia Nipônica de Plantação do Brasil comprou terras paraenses para 189 japoneses. Com o trabalho dos imigrantes, a cidade ganhou o título de maior produtora brasileira de pimenta-do-reino.

Serviço

Bunka-Sai, Festival da Cultura do Japão de Petrópolis

17 a 20 de agosto de 2023

Programação no site.




Fonte: Agência Brasil