Show no Rio marca 90 anos do cantor e compositor Monarco


“Dedico esse DVD a você, minha companheira, que me levanta para eu cantar por aí, porque tive época em que estava desanimado e essa mulher dizia: você vai cantar, você precisa cantar, precisa sair, não fica deitado nessa cama, vai compor. Quando faço um samba novo, ela é a primeira a ouvir. Diz: vai em frente meu filho, vai produzir. Obrigado, meu amor, por tudo, minha companheira!”.

A dedicatória de Hildemar Diniz para Olinda da Silva Diniz foi feita em 2011, na gravação de um DVD, no Teatro Oi Casa Grande, no Leblon, zona sul do Rio. E não foi a única nos 27 anos de relacionamento do casal. Hildemar é o grande compositor e cantor Monarco, baluarte e ex-presidente de honra da Portela, que se fosse vivo completaria 90 anos nesta quinta-feira (17). Nos anos em que viveram juntos também não faltaram composições em homenagem a ela. “Nós vivemos um grande amor. Nós vivemos uma vida linda”, disse Olinda em entrevista à Agência Brasil.

Em outra dedicatória, numa foto que deu para a mulher, escreveu: “Linda eternamente, Olinda. Sonho que se realizou em minha vida. Você é o grande amor que Deus me deu. Beijos do seu querido amor. Monarco. 17/12/96”.

“Eu guardo essa foto que ele me deu de presente. Fora os bilhetinhos muito amorosos que guardo com muito carinho”, contou Olinda, para quem Monarco estava muito “lindinho, parecia um menininho” na foto.

O início do namoro demorou uns dois anos porque Olinda resistia, achando que não daria certo. Afinal, já tinha três filhas e um casamento desfeito. A persistência de Monarco acabou mostrando que estava errada. “Nós começamos a namorar no Jacarezinho [comunidade da zona norte do Rio], na Rua Santa Laura. Me lembro bem que ele me roubou um beijo”, disse, acrescentando que uma amiga deu força para ela aceitar o namoro, antevendo que seria muito feliz com Monarco.

Matéria 90 anos de Monarco.  O texto faz referência a esta foto e à dedicatória. Foto: Arquivo Pessoal

Matéria 90 anos de Monarco. O texto faz referência a esta foto e à dedicatória. Foto: Arquivo Pessoal – Arquivo pessoal

Casamento

Ainda assim, namoraram durante dez anos, até que se casaram na quadra da Portela, com direito a participações do cantor e compositor Paulinho da Viola, da cantora Beth Carvalho, do cartunista Lan e do compositor Guilherme de Brito. “Ele me disse: você é a mulher da minha vida. Vamos casar? Eu falei: agora, só se for agora”, comentou, sorrindo, sobre o pedido feito pelo companheiro.

Monarco morreu no dia 11 de dezembro de 2021, em consequência de complicações após uma cirurgia de intestino. “Eu me emociono a cada vez que falo nele. Um ano e oito meses fez agora, dia 11, que a gente se despediu com lágrimas nos olhos e eu dizendo para ele o quanto o amava e o quanto era importante na minha vida. Era não, é”, afirmou.

“Ele dizia toda manhã: pretinha eu já te disse hoje o quanto te amo? Como sinto saudade de ouvir isso todos os dias. E eu dizia para ele: meu filho, eu sou a mulher mais feliz, porque amo você também. Eu pude dar a ele a alegria de ser amado”.

Compositor

A carreira começou cedo. Aos 8 anos, compôs o primeiro samba. Numa entrevista em janeiro de 2016 à Agência Brasil, Monarco contou que tinha 12 anos quando se mudou de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, para Oswaldo Cruz, na zona norte do Rio. A casa ficava bem perto da quadra da escola, conhecida atualmente como Portelão. “Era só descer, e em cinco minutos estava dentro da Portela”, lembrou, na época.

Antes de se mudar para Oswaldo Cruz, morava em Nova Iguaçu onde já ouvia, pelo rádio, músicas que se referiam à escola e que despertaram o seu amor pela azul e branco. “Quando cheguei a Oswaldo Cruz, disse aos meus irmãos que ali era a Portela. Fui com a minha família. Eu era o menor”.

Compositor da Velha Guarda da Portela, Monarco está na escola de Madureira desde os 12 anos

Compositor da Velha Guarda da Portela, Monarco está na escola de Madureira desde os 12 anos – Divulgação/Arquivo pessoal

Parte da história da Portela pode ser contada também pelos sambas de Monarco, que enaltecem a escola e o bairro de Oswaldo Cruz. O primeiro foi em 1952. O compositor fazia questão de destacar que embora se fale da azul e branco como escola de Madureira, a origem é outra. “Oswaldo Cruz foi onde ela nasceu. Queira ou não queira, não se pode renegar o lugar em que nasceu. Eu gosto muito de Madureira, mas ela tem as raízes fincadas em Oswaldo Cruz”, afirmou, acrescentando que os dois bairros cresceram muito e se misturaram.

Surpresa

Quando se conheceram, Olinda não sabia que ele era um compositor de destaque no mundo do samba. Ficou surpresa ao saber que a música Fim de Sofrimento, da qual gostava muito e pensava ser de Beth Carvalho, tinha sido composta por ele. “Eu quase caí dura e fiquei com a cara vermelha”, comentou, destacando que na gravação do DVD ele a surpreendeu cantando a música e ainda dedicando a ela.

Homenagens

A lista de definições de Monarco mostra o quanto o artista é reverenciado. “Esse homem é de um caráter imensurável, de dignidade, carinho, amor, respeito. Eu não tenho mais adjetivos para qualificar essa pessoa linda chamada Hildemar Diniz, o Monarco da Portela, o meu grande amor”, disse Olinda.

“Monarco é matéria obrigatória para quem trabalha com samba, na qualidade musical e de letras fantásticas. Era uma pessoa extraordinária, fantástica e muito generosa. Além de tudo era um grande cantor, com uma extensão vocal muito marcante. Era completo. Realmente dá saudade. Estou feliz de ir lá para homenageá-lo”, disse a cantora Nilze Carvalho à reportagem, destacando que as letras tinham simplicidade porque falavam direto ao coração, mas as melodias tinham certa complexidade.

“Pessoa de um talento incrível”, disse a pesquisadora da Música Popular Brasileira, compositora e escritora Marília Trindade Barboza.

“O legado que ele deixou marca não só pela questão musical, mas de conduta pessoal. A humildade, a personalidade dele, não se fazia humilde, era humilde. As pessoas dizem que a unanimidade é burrice, mas ele era unânime. Todos gostavam dele”, disse o compositor e produtor musical Mauro Diniz, filho de Monarco.

A pesquisadora contou ainda que quando se preparava para fazer a biografia de Paulo Benjamin de Oliveira, o Paulo da Portela, fundador da azul e branco, foi à quadra da escola e conheceu a Velha Guarda, que tinha Monarco como líder. “Ele me ajudou a conduzir o trabalho, me apresentou às pessoas certas e, de lá pra cá, tivemos uma troca muito grande”, afirmou, lembrando que Monarco tinha em Paulo da Portela um ídolo.

A importância das obras deixadas por Monarco é também unanimidade. “E fico feliz de as pessoas não deixarem esse legado morrer. Aquela voz maravilhosa, aquele timbre, aquele grave na voz que ninguém tem”, observou Olinda.

90 anos

Para marcar os 90 anos de Monarco, amigos, parentes e admiradores se reúnem nesta quinta-feira (17) em um show. O espetáculo, marcado para começar às 18h30, será no auditório do 9º andar da sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio. A organização é do ex-presidente da Portela e diretor cultural da Liga das Escolas de Samba do Rio (Liesa) e da Federação Nacional das Escolas de Samba (Fenasamba), Luiz Carlos Magalhães, da pesquisadora Marília Trindade Barboza, de Olinda e de um grupo de amigos do compositor portelense.

Rio de Janeiro (RJ), 25/07/2023 - Esculturas de Cartola e Monarco no Museu do Samba, na Mangueira. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Museu do Samba, na Mangueira, por Fernando Frazão/Agência Brasil

A direção musical é do produtor e compositor Mauro Diniz e do músico Paulão 7 Cordas. “A gente tem uma expectativa muito boa de que seja uma homenagem por tudo aquilo que ele plantou e deixou pra gente”, disse o filho.

Ele contou que se tornou músico por influência do pai, apesar de preferir que o filho “fosse doutor”. “Quando viu, eu já estava tocando um pouco, estava escrevendo uma coisinha e depois nos tornamos parceiros. Uma coisa muito bonita. Temos vários sambas inéditos”, relatou.

Marília Barboza lembrou que, coincidentemente, a ABI foi o primeiro emprego de carteira assinada de Monarco, quando tinha 15 anos. “Ele teve lá um dos momentos mais felizes, porque era criança, tinha 15 anos e ali teve chances maravilhosas. A ABI era uma coisa efervescente naquele tempo, os jornalistas e intelectuais iam para lá e ele arrumava a mesa para [Heitor] Villa-Lobos jogar bilhar. Ele conheceu os grandes ícones do jornalismo, o pessoal da Academia Brasileira de Letras”, comentou a pesquisadora.

Já estão confirmadas as apresentações da Velha Guarda da Portela, de Nilze Carvalho, Dorina, Toninho Geraes, Tânia Machado, Didu Nogueira, Marquinhos Diniz, Eliane Farias, Iracema Monteiro, Léo Russo e Pedro Paulo Malta, entre outros. O encerramento será com a escola de samba mirim da Portela, Filhos da Águia. “A ideia é mandar a música do Monarco para o futuro”, afirmou Marília.

“Estou cultivando a memória dele. Isso está me fazendo feliz. Não quero que esse legado, que ele deixou para nós e para o universo, se apague. O sonho de Monarco era ver um jovem cantando um samba dele”, disse Olinda.

A entrada é franca e quem não for ao local, poderá assistir o show ao vivo pelo canal ABITV no YouTube.




Fonte: Agência Brasil

Petrópolis reaviva ligação secular com imigração japonesa


Quando o assunto é a história da imigração japonesa no Brasil, geralmente a primeira cidade que vem à mente é São Paulo. Afinal, e lá na capital paulista que está a maior comunidade do país asiático no Brasil. Por outro lado, quando se fala em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, sabe-se logo que a região é chamada até hoje de Cidade Imperial, por ter servido de residência da Família Real brasileira. 

Mas o que pouco se fala é que a relação entre Brasil e Japão começou justamente em Petrópolis. A cidade de clima ameno foi a escolhida para sediar a primeira delegação diplomática do país asiático no Brasil. É para fazer essa ligação ficar mais e mais conhecida que Petrópolis comemora, a partir desta quinta-feira (17) o Bunka-Sai, a Festa da Cultura Japonesa. Bunka-Sai é uma transliteração que significa cultura, em japonês.

O marco da imigração japonesa no Brasil completou 115 anos em junho. Mas a relação com Petrópolis é mais antiga que isso. Em 1897, dois anos depois da assinatura do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação, entre o Brasil e o Japão, chegou ao Brasil o primeiro grupo diplomático japonês, que ficou hospedado em Petrópolis, no então Alexandria Hotel, atual Convento Nossa Senhora de Lourdes. No mesmo ano, foi aberta na cidade a primeira representação diplomática do Japão.

“Petrópolis foi escolhida por causa do surto de febre amarela no Rio [então capital do Império]”, explica à Agência Brasil o presidente da Associação Nikkei de Petrópolis, Masao Nakashima.

Em 1906, a partir de um relatório enviado de Petrópolis para o governo japonês, as fronteiras do Brasil foram abertas para a imigração japonesa. No dia 18 de junho de 1908, 781 japoneses desembarcaram do navio Kasato Maru, no Porto de Santos, em São Paulo, para trabalhar nas lavouras de café, dando início oficial à comunidade nipônica em solo brasileiro.

O festival Bunka-Sai se estende até o domingo (20) e acontece no Palácio de Cristal, construção de arquitetura eclética, inaugurado em 1884. Na programação, oficinas de mangá (as famosas histórias em quadrinhos japonesas), origami, palestras, espetáculos de danças e músicas inspirados em animes (estilo de animação gráfica), demonstrações de artes marciais, artesanato e a tão famosa culinária japonesa. As atrações são de graça.

“O Bunka-Sai é importante para manter vivo os ensinamentos, costumes e a nossa tradição”, avalia Nakashima, filho de japoneses e nascido em São Paulo.

“Neste ano de comemoração pelos 115 anos da imigração japonesa no Brasil, a festa vai ser ainda mais especial. Turistas e petropolitanos vão poder explorar novas experiências em uma oportunidade única de imersão na fascinante cultura japonesa”, promete a secretária municipal de Turismo, Silvia Guedon.

O festival faz parte do calendário de eventos da cidade desde 2008, quando a festa foi criada em comemoração do centenário da imigração japonesa. Na época, era batizado de Nippon Matsuri, festival japonês em português.

“A história de Petrópolis é rica e diversificada. Vai além do Império e da colonização germânica. A imigração japonesa tem ligação direta conosco, e o Bunka-Sai é uma festa que resgata e apresenta para as novas gerações a história, o legado e as contribuições para a cultura, a gastronomia e para o desenvolvimento econômico de Petrópolis e do Brasil como um todo”, destaca o prefeito de Petrópolis, Rubens Bomtempo.

A cidade tem outras formas de manter viva a ligação com o país asiático, como o Museu do Japão e o Circuito das Cerejeiras, que reproduz na Cidade Imperial a beleza da floração das sakuras, como são chamadas no Japão. A beleza da natureza é a mesma, a diferença é o período de exibição. Enquanto no Japão florescem entre o fim de março e início de abril – começo da primavera, no Brasil a floração acontece da metade de julho até agosto. Lugares de atração turística como o Lago do Quitandinha, o Museu Imperial e o Palácio Rio Negro receberam as sementes da espécie.

Integração Brasil-Japão

O interesse de manter viva a história da relação entre os dois países é justificado pelo intercâmbio populacional. Segundo a Embaixada do Japão no Brasil, aproximadamente 2 milhões de japoneses e descendentes vivem no Brasil. É a maior população de origem japonesa fora do Japão. Além disso, o Japão é o quinto país com a maior comunidade brasileira no exterior. São quase 207 mil, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores.

Petrópolis reaviva ligação secular com imigração japonesa. Foto: Bunka-Sai

Petrópolis reaviva ligação secular com imigração japonesa. Foto: Bunka-Sai –

A relação diplomática entre ambos só foi interrompida entre 1942 e 1952, por causa da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Este ano, a integração entre os dois países pode aumentar ainda mais. No último dia 9, os dois países anunciaram a isenção bilateral de exigência de visto de turismo a partir de 30 de setembro de 2023. Assim, turistas japoneses poderão visitar o Brasil sem a obrigatoriedade da emissão de visto, o que também valerá para os brasileiros que planejam ir ao Japão.

Presença japonesa

Além da influência da cultura japonesa no cotidiano dos brasileiros, como a culinária, chás e artes marciais, entre outros elementos, há cidades especificas com presença forte de tradições e costumes nipônicos.

Em São Paulo, o bairro da Liberdade proporciona a sensação de estar quase em ruas japonesas, com uma arquitetura oriental e fachadas com ideogramas (símbolos gráficos).

A cidade de Assaí, no Paraná, abriga uma comunidade nipo-brasileira desde 1930 e realiza eventos tradicionais no Japão, como o Bon Odori e o Tanabata. O sistema de produção agrícola também é realizado com técnicas japonesas.

Ivoti, no Rio Grande do Sul, recebeu 26 famílias de imigrantes em 1966, formando uma colônia japonesa produtora de uvas, kiwi, hortaliças e flores. A população cresceu e atualmente é responsável por realizar festas culturais, como a Feira da Colônia Japonesa, a gincana esportiva Undo Kai e o evento Enguei Kai.

Na Região Norte, a cidade de Tomé-Açu, no Pará, recebeu imigrantes japoneses em 1926. Três anos depois, a Companhia Nipônica de Plantação do Brasil comprou terras paraenses para 189 japoneses. Com o trabalho dos imigrantes, a cidade ganhou o título de maior produtora brasileira de pimenta-do-reino.

Serviço

Bunka-Sai, Festival da Cultura do Japão de Petrópolis

17 a 20 de agosto de 2023

Programação no site.




Fonte: Agência Brasil

Linha de transmissão desligou “milissegundos” antes de apagão


A Eletrobras informou, na noite desta quarta-feira (16), que identificou o desligamento da linha de transmissão 500kV Quixadá-Fortaleza por atuação indevida do sistema de proteção, milissegundos antes do apagão da manhã de terça-feira (15). Na ocasião, uma queda de energia atingiu todas as regiões do país. O Norte e o Nordeste foram os mais prejudicados e a normalização do sistema elétrico demorou mais nos estados dessas regiões do que nas outras partes do país.

A empresa avaliou que o desligamento da citada linha de transmissão, de forma isolada, não seria suficiente para a abrangência e repercussão sistêmica do ocorrido. As redes de transmissão do SIN são planejadas pelo critério de confiabilidade “n-1”. Assim, em caso de desligamento de qualquer componente, o sistema deve ser capaz de permanecer operando sem interrupção do fornecimento de energia.

Em nota, a Eletrobras avaliou “que a manutenção dessa linha de transmissão está em conformidade com as normas técnicas associadas”.

A empresa assegura que continua colaborando para a identificação das causas do apagão e dos motivos que levaram aos desligamentos ocorridos no SIN, sob a coordenação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).




Fonte: Agência Brasil

Indígenas Guarani e Kaiowá são alvos de ataque em Dourados


Indígenas da etnia guarani e kaiowá foi alvo de ataque de grupo armado na tarde desta quarta-feira (16), em Dourados, no Mato Grosso do Sul. De acordo com informações divulgadas pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), indígenas relataram que o grupo entrou no tekoha Avae’te, acampamento indígena próximo à reserva de Dourados, e disparou várias vezes. Ninguém ficou ferido.

Na madrugada de terça-feira (15), conforme os indígenas, os pistoleiros incendiaram dez casas, obrigando muitos a se esconderem no mato. Em nota, o Cimi informou que os indígenas estão assustados e com medo de novos ataques.

A organização diz que este é o primeiro ataque registrado este ano contra os guarani e kaiowá do tekoha Avae´te, porém, ações como essa são registradas desde 2018, quando foi iniciado o processo de retomada das áreas gerando conflitos.

A reserva tem uma área de 2,4 mil hectares, tamanho, segundo o Cimi, insuficiente para abrigar a população indígena local, que ultrapassa 13 mil pessoas.

Com isso, grupos indígenas montaram acampamentos próximos a reserva, como forma de reivindicar a retomada de terras tradicionais ocupadas por fazendeiros.

Em 2007, a Funai e o Ministério Público Federal assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para agilizar a demarcação das áreas reivindicadas no entorno da Terra Indígena (TI) Dourados Pegua.

A Agência Brasil entrou em contato com a Funai e aguarda retorno.




Fonte: Agência Brasil

TSE não vai tolerar candidaturas femininas fictícias, diz ministra


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não vai aceitar que partidos políticos registrem candidaturas femininas fictícias com o objetivo de cumprir as cotas de gênero. A afirmação é da ministra substituta Edilene Lobo, que participou do programa Repórter Brasil, da TV Brasil, nesta quarta-feira (16). 

“A justiça eleitoral está vigilante. O TSE dá mostras muito firmes de que não tolerará candidaturas fictícias. Se insistir com o registro de candidaturas femininas fictícias, o resultado é esse: aqueles que por ventura forem eleitos às custas dessa fraude perderão seus mandatos”, disse a ministra, que foi empossada na semana passada. Edilene é a primeira mulher negra a assumir uma cadeira no tribunal.

Nos últimos meses, o TSE cassou diversos mandatos por fraude às cotas de gênero nas eleições de 2020.

Segundo a ministra, os indícios de fraudes são votação baixa ou nenhuma votação, ausência de atos de propaganda eleitoral, ausência de participação de mulheres na campanha e falta de recursos destinados a campanhas femininas.  “Evidenciada a fraude, com as ações competentes, com certeza o TSE diz que é caso de cassação de mandato”, diz Edilene.

A ministra também destacou a importância da inclusão  de mulheres negras na vida pública. “Me ver nesse lugar é possibilitar às meninas e mulheres negras compreenderem que todos os lugares nos cabem. Claro que para nós é mais difícil: as oportunidades não chegam, os espaços são limitados. Mas precisamos compreender que a inclusão e a visibilidade de mulheres negras na vida pública é cumprir a Constituição Federal”, pontuou.




Fonte: Agência Brasil

UFSB aprova concessão de título de Doutor Honoris Causa a Mano Brown


O Conselho Universitário da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) aprovou, nesta quarta-feira (16), a concessão de título de Doutor Honoris Causa a Pedro Paulo Soares Pereira, o Mano Brown, membro do grupo de rap Racionais MC’s.

De acordo com a reitora da UFSB, Joana Angélica Guimarães, a proposta do título a Mano Brown decorre da importância do artista “na arte, na cultura e especialmente na interlocução com jovens negros e negras de periferia que veem na música de Mano Brown uma forma de expressão que lhes dá voz, quando a sociedade lhes nega”.

Para Richard Santos, pró-reitor de Extensão e Cultura da UFSB, a titulação do artista chama a atenção para a importância do hip hop nas periferias das cidades brasileiras. “É algo que aponta para a importância do que o hip hop nos tem deixado de legado ao longo dos anos, a identidade das periferias e a possibilidade do sonho diante de tanta miséria e sufocamento”.




Fonte: Agência Brasil

Carnaval 2024: definidos ensaios técnicos de escolas do grupo especial


A Liga Independente das Escolas de Samba do Grupo Especial (Liesa) divulgou o calendário de ensaios técnicos, na Avenida Marquês de Sapucaí, para o Rio Carnaval 2024. A temporada começa no domingo – 7 de janeiro – com as escolas de samba Unidos do Porto da Pedra e Mocidade Independente de Padre Miguel se apresentando para o público. Porto da Pedra inicia o desfile às 20h30, e a Mocidade entra a partir das 22h. Em todos os ensaios, o público não pagará ingresso.

Os ensaios vão até fevereiro, quando ocorrerá, no sábado (3 de fevereiro), a tradicional Lavagem da Marquês de Sapucaí às 19h, e, em seguida, os ensaios da Beija-Flor de Nilópolis e Unidos de Vila Isabel. No domingo (4) será a vez da apresentação da Viradouro e Imperatriz Leopoldinense, com a Liesa realizando neste final de semana de fevereiro, os testes de iluminação e som do Sambódromo.

Programação de ensaios técnicos do Sambódromo

7 de janeiro – Domingo
Porto da Pedra- 20h30
Mocidade- 22h

14 de janeiro – Domingo
Portela- 20h30
Unidos da Tijuca- 22h

21 de janeiro – Domingo
Paraíso do Tuiuti- 20h30
Salgueiro  – 22h

28 de janeiro – Domingo
Grande Rio – 20h30
Mangueira- 22h

3 de fevereiro – Sábado ( teste de som e iluminação)
Lavagem da Avenida – 19h
Beija-Flor- 20h30
Vila Isabel- 22h

4 de fevereiro – Domingo (teste de som e iluminação)
Viradouro- 20h30
Imperatriz  – 22h




Fonte: Agência Brasil

Itamaraty recebe escultura da artista Marianne Peretti


O Ministério das Relações Exteriores (MRE) recebeu nesta quarta-feira (16) a doação de uma escultura em bronze de autoria da artista franco-brasileira Marianne Peretti. A obra foi entregue pela filha da artista, Isabela Peretti, ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Segundo o MRE, a incorporação da primeira obra de Marianne Peretti à coleção do Palácio Itamaraty foi uma vontade manifestada em 2017 pela artista. A vitralista foi a única mulher a integrar a equipe do arquiteto Oscar Niemeyer na construção da capital e tem obras em vários pontos da cidade.

Marianne Peretti nasceu em Paris, em 1927, e naturalizou-se brasileira na década de 1950, quando se mudou para São Paulo e passou a investir na carreira artística. Na Europa, ela já havia feito ilustrações para livros, mas, em solo brasileiro, dedicou-se a vitrais, painéis, esculturas e relevos para edifícios. Ela faleceu em abril de 2022, no Recife, aos 94 anos.

As obras de Peretti podem ser vistas em vários prédios públicos de Brasília, como o Congresso Nacional, o Palácio do Jaburu, o Memorial Juscelino Kubitschek, o Teatro Nacional, o Panteão da Pátria e o Superior Tribunal de Justiça. São de sua autoria, ademais, os vitrais da Catedral Metropolitana de Brasília.

Também há obras da artista em prédios de Oscar Niemeyer em outras partes do Brasil e do mundo: na sede da revista Manchete, no Rio de Janeiro, no Edifício Burgo, em Turim, na Itália, e na Maison de la Culture du Havre, em Le Havre, na França. Em Paris, está exposto seu primeiro vitral, feito para a Câmara Sindical de Eletricidade, no Boulevard Voltaire.




Fonte: Agência Brasil

Delgatti reafirma ter recebido R$ 40 mil de Carla Zambelli


O hacker Walter Delgatti voltou a afirmar à Polícia Federal que recebeu R$ 40 mil da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) para invadir sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir falsos documentos e alvarás de soltura. A informação foi divulgada pelo advogado de Delgatti, Ariovaldo Moreira, após depoimento do hacker à Polícia Federal, em Brasília, nesta quarta-feira (16).

De acordo com o advogado, Delgatti confirmou o que havia dito no primeiro depoimento à PF, em São Paulo, no mês passado. No depoimento de hoje, o hacker citou uma conversa e indicou pessoas próximas a Carla Zambelli envolvidas na invasão, conforme Moreira.

“Além de confirmar, ele produziu mais provas no sentido de que ele está falando a verdade”, disse o advogado à imprensa. Os R$ 40 mil, conforme a defesa, foram pagos em depósitos bancários e dinheiro vivo, entregue por um assessor de Zambelli.

Com as novas provas, Moreira espera que Delgatti seja colocado em liberdade. O hacker estava preso em Araraquara (SP) desde o último dia 2, foi transferido hoje para Brasília e conduzido à sede da PF, na região central da capital federal.

Em nota, a defesa da deputada Carla Zambelli informa que irá se manifestar somente após conhecimento dos autos e do depoimento. “A defesa da deputada Carla Zambelli reitera que somente se manifestará após integral conhecimento do conteúdo dos autos – o que ainda não aconteceu, inclusive de referido depoimento, porém reforça e rechaça qualquer acusação de prática de conduta ilícita e imoral pela parlamentar, inclusive, negando qualquer tipo de pagamento ao mencionado hacker”.

CPMI do 8 de janeiro

O advogado confirmou que Delgatti irá comparecer à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro, nesta quinta-feira (17). A defesa pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que ele possa ficar em silêncio no depoimento na comissão.

Entenda o caso

Walter Delgatti é suspeito de invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir falsos documentos e alvarás de soltura no Banco Nacional de Mandados de Prisão em janeiro deste ano, como um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo.

Delgatti afirma ter agido a pedido da deputada Carla Zambelli, com o intuito de desacreditar o Poder Judiciário. A deputada, por sua vez, nega ter pedido ou pago o hacker para que fizesse isso.

Zambelli diz ter pago R$ 3 mil para que o hacker fizesse melhorias no site e redes sociais dela. Ela contou ainda que apresentou Delgatti ao presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, e ao ex-presidente da República Jair Bolsonaro. Segundo Zambelli, o hacker queria oferecer os serviços dele ao PL, participando de uma eventual auditoria nas urnas eleitorais eletrônicas. Porém, Zambelli disse que o negócio não foi fechado.

O inquérito policial que apura os supostos crimes de invasão do sistema do CNJ tramita no STF.

Delgatti ficou conhecido por ter extraído ilegalmente troca de mensagens entre Sergio Moro, então juiz da Operação Lava Jato, e o ex-procurador da República e o então coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, o que deu origem à chamada Vaza Jato, expondo os bastidores da Operação Lava Jato e reforçando os argumentos dos críticos que acusavam o Poder Judiciário de vazar informações sigilosas de forma seletiva, com objetivos políticos.

Em razão do vazamento, Delgatti responde também a processo, no âmbito da Operação Spoofing, que investiga a invasão dos celulares do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública e hoje senador, Sergio Moro (União Brasil – PR), e de outras autoridades. A ação levou o hacker pela primeira vez à prisão, em 2019.




Fonte: Agência Brasil

Governo de SP deve apurar ameaças a ouvidor da polícia, recomenda CNDH


O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) emitiu recomendação ao governo do estado de São Paulo para que sejam investigadas, com urgência, ameaças de morte sofridas pelo ouvidor da polícia do estado, Cláudio Silva. A recomendação foi publicada ontem (15). 

Silva relata que tem recebido ameaças de morte desde que iniciou sua atuação, intensificadas após as mortes ocorridas na cidade do Guarujá, na Baixada Santista, em decorrência da Operação Escudo, realizada pela Polícia Militar.

“[O CNDH recomenda ao governo paulista] investigar, em regime de urgência, os crimes de ameaça praticados contra o Ouvidor da Polícia do estado de São Paulo, fornecendo, no prazo de 15 dias, informações sobre o resultado desses inquéritos”, diz o texto da recomendação.

O conselho ainda pede que o governo de São Paulo reforce a segurança do ouvidor da polícia e garanta o fornecimento imediato de informações requisitadas por ele, especialmente as imagens das câmeras corporais usadas por policiais nas ações em que ocorreram as mortes.

“Embora o ouvidor tenha requisitado acesso às imagens das câmeras corporais usadas por policiais envolvidos na operação, até agora não houve resposta”, destacou o CNDH.

O conselho também recomendou ao Ministério Público do estado de São Paulo (MP-SP) que realize uma apuração paralela e independente a partir do Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp) sobre ameaças de morte recebidas pelo ouvidor, “contribuindo para identificação e responsabilização dos autores e salvaguarda da integridade física e da vida do alvo das ameaças”.




Fonte: Agência Brasil